O assassinato de uma menina japonesa cometido por um imigrante peruano, na província de Hiroshima, em 2005 foi o estopim para que o Serviço de Imigração do Japão passasse a exigir Certidão de Antecedentes Criminais para estrangeiros que quiserem trabalhar e morar no país. Desde o começo do mês, a nova exigência tem movimentado o setor de protocolo da Polícia Federal em Londrina. Antes, eram emitidos cerca de 15 certidões por semana e agora são quase 100, sendo que a maioria é solicitada por pessoas interessadas em tirar ou renovar o visto japonês.
Para brasileiros são exigidas certidões emitidas pelas polícias Federal e Civil. Na primeira, o documento é gratuito e leva cerca de dez dias para ficar pronto. Já na Polícia Civil é preciso recolher uma taxa de R$ 4,08 no Banco Itaú e depois solicitar a certidão no Instituto de Identificação do Paraná, que dá um prazo de sete dias para entregar o documento. Nas duas situações é preciso levar uma cópia da cédula de identidade. Caso seja preciso uma procuração, esta deve conter a finalidade do documento solicitado.
O nikkey Sidney Oshiro, 30 anos, morou durante oito anos no Japão. Há quase dois está no Brasil e já prepara a documentação de renovação do visto para nova viagem. ''Os crimes envolvendo estrangeiros estavam subindo mesmo no Japão. Acho que foi uma forma deles se protegerem'', pondera. Segundo o Consulado Geral do Japão, com sede em Curitiba, entre os anos de 2000 e 2002, o número de imigrantes presos aumentou 33% naquele país. Entre os brasileiros, a porcentagem é semelhante: 35%.
O descendente, que conheceu a realidade japonesa de perto, afirma que os principais crimes cometidos por brasileiros no Japão são roubos e tráfico de drogas. Categórico, garante: ''Foi só aumentar a quantidade de estrangeiros, sejam brasileiros ou não, aumentou a criminalidade''.
Somente em 2005, o Brasil emitiu 46.831 vistos para pessoas interessadas em turismo, negócios, estudos ou imigração, sendo que esta última é a principal opção dos brasileiros que vão para o Japão. Em Curitiba, o consulado japonês emitiu 6.535 vistos em 2005 para paranaenses interessados em conhecer ou viver em solo nipônico - são pessoas que querem conseguir novas oportunidades de renda e conviver com uma cultura desconhecida ao mundo ocidental.
O estudante Roberto Imazu, 19 anos, é um dos nikkeys de olho nas ofertas japonesas de trabalho. Com viagem prevista para setembro, ele ainda não sabe em que vai trabalhar. ''Vou por empreiteira. Não sei o que vou fazer, até porque não falo japonês'', afirma. Oshiro conhece bem a situação em que se encontra o jovem imigrante. Com a mesma idade ele foi para o Japão com o pai. Lá chegando, foi trabalhar numa fábrica de marmitas e, mais tarde - quando já dominava a língua, migrou para uma empresa do setor de eletrônicos. ''O trabalho é muito desgastante, mas tem um retorno financeiro interessante. Por isso tem tanta gente interessada em ir prá lá'', garante.

Serviço A Polícia Federal fica na Rua Tietê, 1450, Vila Nova, fone (43) 3294-7200 e funciona das 8 às 12 horas e 14 às 18 horas; o Instituto de Identificação fica na Avenida Maranhão, 314, fone (43) 3337-1161 e fica aberto das 8 às 17 horas.

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