Londrina - Aos 60 anos, a aposentada Aparecida Maturi Caldeira decidiu viajar. Dona Cida embarcou em uma excursão com destino à Caiobá (Litoral) e não parou mais. Hoje aos 75, ela e o marido, Gildo Caldeira, de 79, já conheceram Gramado, Angra dos Reis, Porto Seguro, Guarapari e o lugar preferido do casal, Caldas Novas. "Já fomos para lá 16 vezes. É muito gostoso. Tem aquela água quentinha...", suspira dona Cida, esfregando uma mão na outra.
As excursões de ônibus viraram rotina para a aposentada. "Neste ano, só viajei três vezes", lembra. Avião, jamais. Dona Cida se apavora só de pensar na possibilidade. As viagens são organizadas pelo Sesc e são voltadas exclusivamente para idosos.
Dona Cida e seo Gildo não se desgrudam. Casados há 58 anos, os dois economizam em casa e pagam os passeios com o dinheiro da aposentadoria. "Ele é meu chaveirinho. Não posso ir sem ele", diz olhando para o esposo. Mesmo diagnosticado com Alzheimer, ele é a companhia para todas as aventuras.
As dificuldades são muitas e é preciso apertar o orçamento para conseguir sobreviver apenas com a aposentadoria. A mesma situação é enfrentada pelo garçom Nelson Faneco, que trabalha há 45 anos no Restaurante Rodeio, na região central de Londrina. Ele pretendia deixar a função ao completar 50 anos, mas o profissional continua na ativa aos 75. "A gente não acha remédio nos postos. Quem tem mais idade tem que botar a mão no bolso se quiser viver", desabafa.
Seo Nelson se tornou muito conhecido entre os londrinenses, recebeu o título de cidadão honorário e agora não consegue deixar a profissão. "Já servi pinga para o Nelson Gonçalves, atendi o Jair Rodrigues, Chitãozinho e Xororó e vários outros. Todo mundo passava por aqui. O salário faz a diferença lá em casa, mas gostar do que se faz é essencial. Sou muito feliz graças a Deus e vou continuar até quando Deus quiser", afirma.
Ao final da entrevista, seo Nelson faz questão de deixar um aviso para quem ainda tem preconceito em relação aos mais velhos. "As pessoas têm que enfrentar a realidade. Todo mundo vai ficar velho e não se pode desprezar ninguém. Não se sabe o dia de amanhã", alerta. (V.C.)

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