Viajantes se queixam de serviço prestado por empresas de ônibus
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sexta-feira, 17 de julho de 1998
Andrea Vendramini 
A qualidade do serviço prestado pelas empresas do setor de transporte de passageiros está na mira do consumidor. Somente no primeiro semestre deste ano, a Coordenadoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), em Curitiba, registrou 106 reclamações referentes à qualidade do serviço oferecido por empresas que atuam em linhas urbanas, intermunicipais e interestaduais. Além da má qualidade do serviço, as queixas mais comuns incluem o desaparecimento de mercadorias e pedidos de devolução do valor pago pela passagem.
A estudante Lívia Carriero, 16 anos, reclama do serviço prestado pela empresa Eucatur, única que oferece ônibus direto de Campo Grande (MS) a Curitiba. Ela, que fez esta viagem pela última vez na semana passada, disse que o ônibus chegou a Curitiba com um atraso de três horas. Como várias passagens foram vendidas duas vezes, alguns passageiros que tentavam embarcar foram obrigados a descer e esperar o próximo carro porque as poltronas que haviam comprado já estavam ocupadas, contou.
Muitos consumidores atribuem a má qualidade dos serviços prestados ao monopólio, já que é comum apenas uma empresa oferecer transporte em determinadas linhas. O gerente comercial da Eucatur, João Gurgacz, disse que a empresa dá prioridade à qualidade do serviço prestado. Outros meios de transporte, como avião, carros particulares até a carona com amigos também representam a concorrência.
O gerente operacional Regivaldo Ferreira Elias, da Viação Graciosa - que atua sozinha em seis linhas que ligam Curitiba ao Litoral do Paraná - disse que, mesmo com a exclusividade, é necessário oferecer qualidade e bom preço, uma tentativa de frear a queda no movimento que chega a cerca de 3,5% ao mês.
O serviço oferecido pelas empresas de ônibus nas linhas intermunicipais é regulamentado e fiscalizado pela Divisão de Serviço de Transporte Comercial (DSTC), vinculada ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Segundo o chefe da divisão, Roberto Blasi, um decreto estadual de 1989 estabelece que a concessão das linhas deve acontecer através de concorrência pública. Serão abertas licitações conforme forem vencendo os contratos antigos, disse.
As linhas interestaduais são concedidas pelo Ministério dos Transportes, também através de licitação. O coordenador do Departamento de Transportes Rodoviários, Márcio Mendes, explicou que o contrato firmado com as empresas não prevê exclusividade de atuação nas linhas. Quando alguma empresa manifesta a vontade de operar em determinada linha, o ministério avalia a necessidade de ampliar o serviço e, se for o caso, promove uma concorrência pública, disse.


