Viagra é esquecido nas prateleiras
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de novembro de 1998
Sid Sauer 
Lançamento do ano da indústria farmacêutica do País, o Viagra anda esquecido nas prateleiras das farmácias. Em Campo Mourão, as farmácias têm conseguido vender, em média, uma caixa do remédio por semana e já desistiram de manter o produto em estoque. Nosso primeiro pedido foi de 12 caixas, mas hoje não pedimos mais do que 6, conta o vendedor Flávio Guimarães do Vale. Isso já é suficiente para um mês, conta.
Segundo Vale, a expectativa na época do lançamento é que fossem vendidas de 20 a 30 caixas de Viagra por mês. Achamos que seria bem mais vendido, admite. O farmacêutico Oswaldo Wronski atribui as vendas em baixa ao preço do remédio. Um único comprimido custa praticamente o mesmo preço do motel, brinca. Pelo barulho que foi feito na época do lançamento, as vendas são frustrantes, diz.
Wronski conta que as vendas chegaram a melhorar num segundo momento, depois de um início fraco, mas a comercialização voltou a cair. O remédio não manteve o pico de vendas, lamenta. Ele prevê que o mesmo deve acontecer com o Xenical, o remédio que promete reduzir em um terço a gordura absorvida pelo organismo. O preço do Xenical será menor que o Viagra, mas ele terá que ser tomado com mais frequência, diz.
O gerente de farmácia Ílton Jardim de Carvalho acredita que a exigência de receita seja o principal empecilho para a venda do Viagra. O produto funciona, mas é difícil de ser adquirido, destaca. Além dos R$ 54,00 do remédio, a pessoa precisa pagar pelo menos R$ 60,00 para a consulta médica e mais o custo de alguns exames, frisa. Carvalho, no entanto, conta que já foi prevenido e nunca chegou a encomendar grande quantidade do remédio.
Venda livre Pensamos que a história seria diferente, lamenta Sérgio Rodrigues da Silva. Segundo ele, a farmácia em que trabalha vende apenas três ou quatro caixas do Viagra por mês. Com uma venda dessas, não há necessidade de fazer estoque, conta. Segundo ele, a procura por informações ainda tem sido grande, mas os clientes desistem ao confirmar o preço e a exigência da receita. Se a venda fosse livre, a saída seria bem melhor.
Outra responsável por farmácia em Campo Mourão, Rita de Cássia Lopes Amaral, diz que as contra-indicações também prejudicam as vendas do Viagra. Não é todo mundo que pode tomar o medicamento, queixa-se. Frustrada, ela mantém apenas uma caixa em estoque. Só peço outra quando vendo a que está na prateleira. Confiante mesmo, só Enus de Oliveira. Para um remédio que é lançamento e custa caro, as vendas até que estão boas, consola-se.
O médico urologista Manuel Gameiro também confirma que a procura em seu consultório não chegou a chamar a atenção. A procura pelo Viagra não correspondeu ao barulho feito no lançamento do remédio, diz. Não sei exatamente por que isso aconteceu, mas tenho a impressão que as pessoas estavam mais curiosas do que necessitadas. O médico conta, no entanto, que os pacientes que passaram a tomar o remédio elogiaram os resultados. O resultado foi positivo.


