‘‘Lançamento do ano’’ da indústria farmacêutica do País, o Viagra anda esquecido nas prateleiras das farmácias. Em Campo Mourão, as farmácias têm conseguido vender, em média, uma caixa do remédio por semana e já desistiram de manter o produto em estoque. ‘‘Nosso primeiro pedido foi de 12 caixas, mas hoje não pedimos mais do que 6’’, conta o vendedor Flávio Guimarães do Vale. ‘‘Isso já é suficiente para um mês’’, conta.
Segundo Vale, a expectativa na época do lançamento é que fossem vendidas de 20 a 30 caixas de Viagra por mês. ‘‘Achamos que seria bem mais vendido’’, admite. O farmacêutico Oswaldo Wronski atribui as vendas em baixa ao preço do remédio. ‘‘Um único comprimido custa praticamente o mesmo preço do motel’’, brinca. ‘‘Pelo barulho que foi feito na época do lançamento, as vendas são frustrantes’’, diz.
Wronski conta que as vendas chegaram a melhorar num segundo momento, depois de um início fraco, mas a comercialização voltou a cair. ‘‘O remédio não manteve o pico de vendas’’, lamenta. Ele prevê que o mesmo deve acontecer com o Xenical, o remédio que promete reduzir em um terço a gordura absorvida pelo organismo. ‘‘O preço do Xenical será menor que o Viagra, mas ele terá que ser tomado com mais frequência’’, diz.
O gerente de farmácia Ílton Jardim de Carvalho acredita que a exigência de receita seja o principal empecilho para a venda do Viagra. ‘‘O produto funciona, mas é difícil de ser adquirido’’, destaca. ‘‘Além dos R$ 54,00 do remédio, a pessoa precisa pagar pelo menos R$ 60,00 para a consulta médica e mais o custo de alguns exames’’, frisa. Carvalho, no entanto, conta que já foi prevenido e nunca chegou a encomendar grande quantidade do remédio.
Venda livre ‘‘Pensamos que a história seria diferente’’, lamenta Sérgio Rodrigues da Silva. Segundo ele, a farmácia em que trabalha vende apenas três ou quatro caixas do Viagra por mês. ‘‘Com uma venda dessas, não há necessidade de fazer estoque’’, conta. Segundo ele, a procura por informações ainda tem sido grande, mas os clientes desistem ao confirmar o preço e a exigência da receita. ‘‘Se a venda fosse livre, a saída seria bem melhor’’.
Outra responsável por farmácia em Campo Mourão, Rita de Cássia Lopes Amaral, diz que as contra-indicações também prejudicam as vendas do Viagra. ‘‘Não é todo mundo que pode tomar o medicamento’’, queixa-se. Frustrada, ela mantém apenas uma caixa em estoque. ‘‘Só peço outra quando vendo a que está na prateleira’’. Confiante mesmo, só Enus de Oliveira. ‘‘Para um remédio que é lançamento e custa caro, as vendas até que estão boas’’, consola-se.
O médico urologista Manuel Gameiro também confirma que a procura em seu consultório não chegou a chamar a atenção. ‘‘A procura pelo Viagra não correspondeu ao barulho feito no lançamento do remédio’’, diz. ‘‘Não sei exatamente por que isso aconteceu, mas tenho a impressão que as pessoas estavam mais curiosas do que necessitadas’’. O médico conta, no entanto, que os pacientes que passaram a tomar o remédio elogiaram os resultados. ‘‘O resultado foi positivo’’.

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