O principal atrativo para os brasileiros que se dispõem a trabalhar no Japão é a possibilidade de iniciar essa jornada sem um tostão no bolso. Muitas das agências nacionais que fazem o intermédio entre os dekasseguis e as empreiteiras japonesas oferecem o financiamento da viagem.
De acordo com o proprietário da agência Work Japan, Vinícius Mattozo, o plano mais comum é a quitação da dívida em seis prestações que só começam a valer depois que o brasileiro já estiver trabalhando no Japão. O custo total, incluindo passagens aéreas e documentação completa, gira em torno de US$ 3 mil.
''Não aconselho ninguém a ir trabalhar no Japão por conta. As empresas preferem contratar os dekasseguis por meio das empreiteiras, porque elas agilizam tudo e ficam responsáveis pelo funcionário'', assinala Mattozo.
O corretor Wilson Roberto Costa Silva, 44 anos, foi para o Japão no final de agosto trabalhar em uma empresa de auto-peças junto com a esposa Yoshiko, 52. Apesar de ter duas cunhadas morando há 15 anos no país, ele preferiu garantir o emprego através de uma agência. ''É a necessidade. O mercado no Brasil está muito restrito'', justificou. De lá, o casal manda o dinheiro necessário ao sustento de duas filhas em idade escolar.
Em entrevista para a Folha antes de viajar, Silva se mostrava confiante: ''Já trabalhei como encarregado de almoxarifado e creio que posso aproveitar bem essa chance, apesar do trabalho ser puxado. O pessoal conta muitas histórias ruins mas estou otimista''. (V.N.)

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