Viagens foram desativadas na década de 70
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quinta-feira, 05 de junho de 1997
Bandeirantes 
Trem partindo, trem partindo. Esta frase foi ouvida durante mais de 40 anos nas estações do Norte do Estado e hoje está guardada na mémória das pessoas que dedicaram parte da vida nas linhas ferroviárias.
Houve uma época em que a estação de trem era o ponto de encontro. As pessoas vinham de todos os lados para acompanhar despedidas e chegadas dos trens. Era um ponto de confraternização entre as pessoas, mesmo sem se conhecerem, lembra Ilda de Almeida Correia, 76 anos, que durante 32 anos cuidou do bar da estação de Bandeirantes, junto com o marido, que era funcionário da RFFSA.
Ela conta que cada trem tinha uma história diferente. Quando vinha os pracinhas do Exército, de longe o maquinista avisava para fechar o bar porque senão eles levavam todo o estoque. Quando vinha vagão com nordestinos, já preparávamos rapaduras porque sabíamos que iam querer. Inclusive, o Albergue Noturno da cidade foi construído para abrigar os nordestinos.
Já Alcides Toledo, 55 anos, ex-telegrafista e bilheteiro da RFFSA, lembra da superlotação dos trens. Cansei de brigar porque as pessoas não aceitavam a informação de que não tinha mais passagem. Os trens já vinham lotados de Londrina, relembra. A média era de 1.500 passageiros por dia. O serviço para passageiros foi desativado na década de 70.
Toledo lembra também que os trens que seguiam para Curitiba eram bastante usados por estudantes. A viagem durava 24 horas, era uma tortura, conta. Já para Londrina, o trem levava quatro horas.
A história de Bandeirantes teve início com a estação ferroviária. Com a instalação da estação em 1934, a concentração das casas foi ao redor da estação, diz Correia. Ser ferroviário também era motivo de estabilidade profissional. Os chefes de estação eram considerados autoridades para compor mesas de honraria, garante Toledo.


