Curitiba - No cotidiano do ótico Edy Antônio Paulino, de 35 anos, há um abismo de pelos menos três horas perdidas por dia. Esse é o tempo mínimo que ele passa dentro de um ônibus no trajeto entre sua casa e o trabalho. Paulino mora em Fazenda Rio Grande, município da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), e trabalha no Centro da Capital. São cerca de 30 quilômetros de distância entre a casa dele e Curitiba.
Como Paulino, milhares de pessoas da cidade começam o dia de trabalho enfrentando ônibus lotados, acidentes, trânsito lento, motoristas estressados. O sistema de coletivos de Curitiba transporta nos dias úteis mais de 2,3 milhões de passageiros; 450 mil deles na RMC. São 1.910 ônibus na rede integrada, 355 linhas (110 na RMC), 30 terminais, cerca de 490 mil quilômetros percorridos por dia pela frota.
É nesse montante astronômico de números, combustível queimado e pneus sobre o asfalto que o trabalhador da Capital se desloca. Mesmo não considerando o serviço em uma ótica pesado, Paulino conta que já chega ao trabalho desanimado, cansado do trajeto no ônibus cheio. Seu dia é pautado pelo horário do transporte coletivo. Acorda às 6h45; pega o ônibus às 7h30; chega em Curitiba às 8h50; entra na ótica às 9 horas. ''Dá tempo de tomar só um café'', diz. Sacoleja apertado por 1h20 pela BR-116. A cada recomeço, tenta não se deixar abater pela viagem. ''Quando chego, trabalho o psicológico para não desanimar. Se tem que trabalhar, tem que trabalhar'', ensina, esperando que algum dia o transporte seja mais rápido e confortável.
É o que tenta fazer a Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), órgão responsável por administrar o transporte coletivo de Curitiba e região metropolitana. No próximo dia 9 será inaugurada a linha Pinheirinho-Carlos Gomes, a primeira do eixo de transporte coletivo Linha Verde, ligando o Sul da cidade ao Centro, com o objetivo de desafogar o número de passageiros e o tempo de trajeto.
Segundo a Urbs, o trajeto entre o terminal do Bairro Pinheirinho e o Centro vai ser reduzido em 15 minutos com a Linha Verde. É essa linha que atende os moradores de Fazenda Rio Grande, como Paulino. Além disso, serão 35 mil pessoas a menos que deixarão de circular no eixo sul e migrarão para a Linha Verde.
Paulino deve ser um dos beneficiados, como espera. ''Dizem que quando a Linha Verde ficar pronta, vai melhorar. Só acredito vendo'', desconfia. Ele sabe o que diz, pois no caminho de volta a Fazenda Rio Grande, o mesmo drama: empurra, sacoleja, balança, aperta, freia, anda, aperta mais. E Paulino de olho no relógio, na esperança de não chegar tarde em casa. Pega o ônibus das 19h15. ''Se não tiver acidente na BR, chego em casa 20h30. Se tiver - o que acontece quase sempre - o horário é depois das 21h30'', relata. Quando chega em casa come alguma coisa e ''desmaia'', até o despertador tocar no dia seguinte e tudo começar de novo.

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