''Temos a compulsão por conhecer outras paisagens e realidades. Cultivamos espírito de beatniks e mochileiros, somos fascinados por lugares exóticos e nos entediamos com o cotidiano cheio de regras e horários. Viagens provocavam coceiras em nossa alma. Regamos esse entusiasmo relendo um verso de Charles Baudelaire no poema 'As Flores do Mal': 'Mas os verdadeiros viajantes partem apenas por partir'''.
Com essas palavras, Vivaldo Aparecido Nonati e Marly Aparecida Pereira Fagundes resumem os motivos que os levam a encarar millhares de quilômetros de estrada. A constatação das diferenças cuturais e o embevecimento diante das magníficas paisagens, entretanto, não constituem o principal aprendizado da aventura. ''O mais importante foi a convivência em família'', acredita Marly.
Ocupada pelas obrigações do dia-a-dia, ela reconhece que passa pouco tempo com os filhos. ''Na estrada, passamos a conhecer melhor o jeito de cada um'', comentou. Dentro da Ranger, os conflitos são inevitáveis. ''Tivemos que nos sentar e fazer um acordo que atendesse as vontades de todos'', contou.
A advogada acredita que a experiência modificou a estrutura familiar. ''Aprendemos a respeitar os limites de cada um. A família ficou mais unida'', considera ela. (C.A.)

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