Viagem para o Brasil fazia
parte de um projeto de vida
O Brasil foi encarado pelos imigrantes poloneses como o início de um novo projeto de vida. A Polônia do século 19 era dominada por três nações: Rússia, Prússia (que atualmente faz parte do território alemão) e o antigo império Austro-Húngaro. O cônsul da Polônia em Curitiba, Marek Makowski, recorda que ao mesmo tempo em que a população passava por sérias dificuldades para sobreviver, qualquer movimento pela independência do país era reprimido de forma violenta.
Segundo o cônsul polonês, ‘‘os movimentos em prol da independência , que levaram ao sangrento e mal sucedido levante de janeiro de 1863, provocaram mais represálias e fizeram com que muitos poloneses procurassem fugir do país’’.
Makowski diz que as dificuldades enfrentadas pelo povo polonês incentivavam a população a deixar sua terra natal. ‘‘A miséria, a fome, a falta de quaisquer esperanças para uma não distante mudança na vida dos mais pobres também era um fator importante na procura de uma nova terra prometida’’, escreve o cônsul na introdução de outro trabalho de resgate histórico dos poloneses, feito pela historiadora Maria do Carmo Ramos Krieger Goulart, autora do livro Almanaque da Vida Polaca.
A primeira possibilidade de mudança para outro país, e o Brasil era uma das nações, estava no perfil dos imigrantes. ‘‘Os imigrantes poloneses, em sua grande maioria agricultores natos, trabalhadores honestos e perseverantes, encaixavam-se muito bem nas necessidade do País’’, conta o cônsul Marek Makowski. Em agosto de 1869 um grupo de 80 famílias começava a concretizar a chance de escapar da violência e fome que assolavam a Polônia e desembarcava no Brasil, mais precisamente na Colônia Príncipe Dom Pedro, hoje município de Brusque (SC), no Vale do Itajaí. (D.V.)

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