Viagem era arriscada, diz médico
Os médicos envolvidos no caso e o provedor da Santa Casa, José do Carmo Neto, afirmaram que o quadro da paciente era gravíssimo e evolutivo. De acordo com o hospital, a equipe médica conscientizou a família que seriam mínimas as chances de vida de Jonadir, e que a transferência para Londrina, seria uma alternativa arriscada.
O médico infectologista Cláudio Queniti Hirai, que acompanhou a paciente na ambulância, contou que ela precisava de uma assistência respiratória especial, só encontrada em Londrina. Na sexta-feira lutamos por uma vaga na UTI do Hospital Evangélico porque pelo quadro dela, os balões de oxigênio normais não eram suficientes. Praticamente ela consumiu o dobro de um paciente comum durante a viagem até Londrina, explicou.
Segundo ele, ao chegar em Londrina houve uma chuva intensa, ocasionando o problema no veículo. Imediatamente eu, com meu celular, acionei a Siate . Em 15 minutos a paciente já estava sendo transportada para o hospital e no caminho, teve a primeira parada cardíaca. Ela voltou à vida, mas assim que entrou no Evangélico, teve outra parada fatal, relatou.
O médico plantonista da Santa Casa de Cornélio Procópio, Cleocides Carvalho, que prestou assistência a Jonadir antes do internamento, disse que ela foi atendida da melhor maneira possível. Percebemos que o quadro era de náuseas e hipotensão. Indicamos a internação, mas ela não quis ficar no hospital, afirmou. Ele disse que chegou a colocar três tubos de soro em Jonadir durante a tarde porque ela arrancava e queria ir embora. Quando fui procurá-la, por volta das 18 horas, ela tinha ido embora sem a minha autorização.
Jonadir procurou o Hospital particular Cristo Rei no dia 12. Segundo o médico Ivo Medeiros da Nóbrega, ela também não queria ficar internada. Vimos que era uma pessoa com queda de imunidade devido aos remédios que tomava para emagrecer, fizemos alguns exames de sangue e ela não admitiu ficar no hospital, relatou. A paciente foi embora, mas voltou à noite com um quadro pior. Achamos melhor transferi-la para a UTI da Santa Casa.
O provedor da Santa Casa, José do Carmo Neto, diz que o quadro de síndrome de angústia respiratória e a própria septicemia são imprevisíveis. A primeira vez que ela esteve aqui, apresentou sintomas de gastrite. Foi medicada e por vontade própria, não quis ficar no hospital. Quanto à ambulância, Carmo garante que o veículo tinha condições de ir a Londrina, mas admite que a equipe não contava com o imprevisto da chuva. Em relação ao oxigênio, ele diz que mesmo ela ocupando o dobro da quantidade normal de um paciente, daria para chegar até o hospital.
O motorista da ambulância, Rubens Darienço, informou que vários carros também tiveram problemas por causa da chuva. Inclusive quando o Siate chegou, tivermos que empurrar outros carros para que o veículo pudesse se aproximar. Darienço disse ainda que um parente da paciente tentou arrumar o distribuidor da ambulância e acabou quebrando-o de vez. Segundo informações do Siate, a transferência da paciente de um veículo para outro durou dois minutos e ela ainda estava com vida.





