Viagem desgastante de ônibus
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sábado, 11 de janeiro de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Lama, poeira, vias sem acostamento, cheias de buracos ou com superfície irregular e sem galerias pluviais. Alguns dos ônibus de transporte coletivo que circulam por Londrina passam por alguns trechos que tornam a viagem mais desgastante, tanto para passageiros quanto para motoristas. No Terminal Urbano é fácil encontrar motoristas e cobradores que reclamam disso. Eles relataram à reportagem da Folha que a cada passagem por esses trechos existe o risco de quebra dos veículos, já que o impacto e a trepidação são constantes. "O para-choque bate a todo instante nas pedras", disse um deles.
Outros problemas mencionados envolvem problemas na suspensão, quebra de eixo, pneus furados e problemas no câmbio. A empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), por meio de sua assessoria, confirma o problema, informando que encaminha relatório mensal à Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU), sobre perdas de pneus por conta de itinerários em má conservação asfáltica. De acordo com a assessoria, de setembro a dezembro de 2013, o prejuízo foi de R$ 143 mil somente com danos em pneus, sem contabilizar os carros com saia traseira amassada e ponteira de para-choque danificada pela passagem do veículo nos buracos.
Fora isso, há reclamações de passageiros diante do sacolejo e até problemas de coluna, devido à tensão ao dirigir por uma pista não asfaltada. "Fica complicado dirigir por esses lugares", resumiu um deles.
Entre os moradores, a bronca também é bastante frequente. Na Rua Ângela Rosa, no Jardim Presidente Vargas (zona norte), o aposentado Luiz Hilário da Silva, de 75 anos, relatou as dificuldades tanto de andar pela via quanto de trafegar no ônibus. "Eu me aposentei quando as minhas pernas não aguentaram mais devido aos problemas de varizes. Agora tenho dificuldades de andar por uma rua de terra, ainda mais toda esburacada como essa", destacou. Ele contou que depende dos ônibus para ir a unidades básicas de saúde ou para ir a supermercados e confirmou que o coletivo "balança" muito ao passar pelos buracos.
Na Rua Isaías Canetti, no Jardim Jóquei Club (zona oeste), o estudante Flávio Peron, de 18 anos, reclama que o fato da via não ser pavimentada já fez com que alguns motoristas evitassem o trecho. "Eu tive que ligar para a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) para reclamar. Depois, a situação se normalizou, mas é sempre preocupante", destacou.
A caminho de um dos maiores residenciais de Londrina, o Vista Bela, fica o Jardim Santo André, onde está localizada a Rua Tanganica. Os usuários da linha 414 do Vista Bela reclamam de um trecho próximo à linha férrea que não possui asfalto. Segundo o estopador Marcos Antônio Beraldo da Silva, de 35, em dias de chuva fica difícil chegar ao ponto de ônibus. "Os usuários precisam ir uns 100 metros adiante para poder pegar o ônibus", reclamou, ressaltando que tem um irmão cadeirante. "E quando entramos no ônibus ele sacoleja o tempo inteiro. Parece uma britadeira."
No Conjunto Santa Luzia, zona leste, circula o ônibus 101-Novo Amparo. Uma moradora da Rua Gino Tamiozzo (que tem um trecho não asfaltados), destacou que no bairro não há supermercado e posto de saúde, entre outros estabelecimentos. "Nós dependemos do ônibus e é complicado. Sem o asfalto fica difícil. É só lama e poeira."
O diretor de Trânsito da CMTU, Wilson de Jesus, afirmou que a companhia já enviou uma relação de vias que precisariam ser pavimentadas à Secretaria de Obras. A secretária interina, Celina Ota, destacou que essas vias já foram incluídas no ano passado para receber verba pelo programa Paraná Urbano, mas o recurso não foi liberado.


