Milton DóriaNada de perguntasClarinda Mendonça e filhas Carla Letícia e Carine Mayara: 3 mil km sem fiscalização


Milton DóriaRaramente alguém pede que os pais apresentem documentação




Imagine a situação: seu filho menor, ainda de colo, é roubado de casa. O ladrão, com objetivo de vendê-lo para o exterior, vai até o Terminal Rodoviário, embarca com a criança para qualquer cidade do País e depois desaparece do mapa. Polícia Militar, Juizado de Menores e até a própria empresa de ônibus são acionados para tentar evitar a fuga mas já é tarde: ninguém sabe explicar o paradeiro da criança.
Tudo isso poderia ser evitado se existisse uma fiscalização eficaz nas rodoviárias pedindo, no mínimo, documentos ou autorização dos pais para que a criança pudesse viajar. Mas essa fiscalização ou não existe ou está longe do ideal. A opinião é da agente comercial Elaine Cristina Pereira, que foi para São Paulo diversas vezes, a partir de outubro, acompanhada da filha Maria Helena Pereira, de apenas quatro meses de idade. E em todas as vezes ninguém pediu documento da criança.
Elaine Pereira observa que sua filha é clara, com cabelos lisos e olhos claros, ao passo de que ela própria é morena, bem diferente da filha. Apenas isso, destaca, já poderia causar uma certa desconfiança. ‘‘Me senti revoltada porque estava com documento na bolsa. Então qualquer pessoa pode pegar uma criança e levar tranquilamente, pelo menos de Londrina.’’
A preocupação de Elaine Pereira é justamente com os diversos casos de crianças desaparecidas, muitos apontados pela imprensa. ‘‘Eu vejo isso direto na tevê. E o que me irritou foi a facilidade com que se faz a coisa’’, aponta.
Ontem à tarde, no Terminal Rodoviário de Londrina, foi possível constatar a situação. Várias mães entrevistadas confirmaram que costumam viajar, dentro ou fora do Estado, e raramente alguém pede a comprovação de que a criança é mesmo um filho legítimo.
‘‘Tenho um filho de seis anos e uma só vez perguntaram se era meu filho. Mas não exigiram documento. Se não fosse meu filho, teria viajado do mesmo jeito’’, confirma Cleizemara Farias, que levava no colo o filho Antônio Carlos Farias, de apenas 4 meses de idade. ‘‘Viajo a cada 15 dias e com esse nunca me pediram nada.’’
Lucilene Magalhães acabava de desembarcar, vinda de Cornélio Procópio. Ela estava acompanhada dos filhos Jéssica Magalhães de Carvalho, 10 meses, e Rodrigo Magalhães de Abreu, 7 anos. ‘‘Vim passear em Londrina e não me pediram documentos. Nunca me pediram. Mas acho que a fiscalização deveria ser mais rigorosa’’, afirma.
Clarinda de Fátima Marques Mendonça, que fazia baldeação em Londrina, carregava no colo as gêmeas Carla Letícia e Carine Mayara, de 2 anos. ‘‘A gente já rodou quase 3 mil quilômetros e até agora ninguém pediu documento’’, conta. Clarinda e as filhas vinham do Mato Grosso com destino a Sertanópolis.

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