Viagem à França está ameaçada
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sábado, 03 de maio de 1997
Da Redação 
Josoé de CarvalhoCiência pede passagemMárcia e Italmar, da UEL: frustração de ter projeto aprovado e não poder apresentá-lo em congressoA falta de verbas para a pesquisa não afeta só os cientistas que têm projetos engavetados. Um grupo de professores do Departamento de Veterinária da Universidade Estadual de Londrina teve pesquisas aprovadas para apresentação em um congresso internacional, mas corre o risco de não participar do evento por falta de dinheiro.
Segundo o chefe do Departamento de Veterinária da UEL, Italmar Teodorico Navarro, três trabalhos foram aprovados pela comissão organizadora do Simpósio Internacional de Epidemiologia Veterinária, que acontece na França, em julho. Só que apenas algumas alunas bolsistas têm chance de viajar porque contam com ajuda financeira da família.
Ele explica que, sem a presença do autor, o projeto não é publicado nos anais do simpósio. É muito frustrante a gente não poder participar do evento, comenta uma das professoras, Márcia de Aguiar Ferreira Barros. A gente tem um trabalho reconhecido internacionalmente e não pode ir apresentá-lo, discutir sobre ele com outros pesquisadores da área.
Os três trabalhos aprovados pelo simpósio internacional tratam de temas que interessam a população, observa Italmar Navarro. O primeiro, sobre toxoplasmose em cães, constatou que é grande a parcela de animais atendidos no Hospital Veterinário da UEL que apresentaram a doença, representando alto risco para o homem.
O segundo trabalho, uma avaliação física, química e microbiológica do leite pasteurizado e distribuído em Londrina, demonstrou que muitas marcas foram adulteradas, fraudadas e contaminadas. A terceira pesquisa analisou as fezes de cães internados no HV com diarréia e constatou que quase 3% dos animais apresentaram o protozoário do gênero cryptosporidium. Conforme uma das bolsistas envolvidas neste projeto, a estudante Flora Kano, este protozoário pode causar uma diarréia severa e prolongada em animais imunodeprimidos, colocando-os em risco de vida. Aí estão incluídas as crianças e pessoas que sofrem de Aids.
Trabalharam nos três projetos o professor Italmar Teodorico Navarro e Roberta Lemos Freire; na pesquisa do leite pasteurizado, Vanderli Beloti e Márcia Barros. Os alunos bolsitas envolvidos nos trabalhos são Juliana Souza, Luiz Augusto Nero, Liza Ogawa, Flora Kano e Rosangela Claret de Oliveira.
Para Italmar e Márcia, é muito importante a participação da UEL neste simpósio que reúne, a cada dois anos, profissionais ligados à área de epidemiologia e economia veterinária. Eles contam que os pesquisadores envolvidos nos três projetos estão tentando buscar dinheiro com outras instituições ou empresas privadas para custear a viagem a Paris. A UEL paga a inscrição ou a estada, comenta. Agora, os professores esperam a resposta do Conselho Regional de Medicina Veterinária/Paraná sobre o pagamento de duas passagens.
(Adriana De Cunto)


