O secretário de Negócios Jurídicos de Londrina, Eduardo Duarte Ferreira, deve formalizar, na semana que vem, parecer sobre requerimentos protocolados pelas empresas Viação Garcia e Ouro Branco para abertura de licitação de linhas do transporte coletivo urbano. As duas empresas pertencem ao mesmo grupo. Os requerimentos foram protocolados na segunda-feira desta semana e são para as linhas 203, 204, 006 e 007 (ribeirões Tucano e Cambé) e 202, 205, 205 - via 2, 210, 212, 214, 215, 216, 601 e 601 (Acapulco Parador), exploradas pelas empresas TCGL e Francovig.
Eduardo Ferreira diz que que vai analisar os requerimentos levando em conta a sentença do juiz José Cichoki Neto que prorrogou o contrato de concessão da TCGL por dez anos; o recurso da Prefeitura ao Tribunal de Justiça (TJ) contra a sentença; e a própria lei de licitação. ‘‘A intenção da Prefeitura é licitar o sistema como um todo’’, diz Ferreira.
O assessor da gerência geral da Viação Garcia e diretor administrativo da Ouro Branco, José Eduardo Chaves, afirma que o grupo quer operar no mercado que está sendo explorado em caráter provisório por TCGL e Francovig. ‘‘É uma pequena fatia do transporte coletivo municipal’’, diz ele. Na interpretação da Viação Garcia, a Prefeitura já obteve sentença que permite abrir licitação para essas linhas. ‘‘Nosso interesse em explorar o transporte urbano vem de algum tempo. Estávamos esperando pronunciamento da Prefeitura.’’ Chaves admite que a abertura do mercado de transporte rodoviário é uma das razões para o grupo expandir sua atuação e entrar no setor urbano.
A Viação Garcia argumenta ser uma empresa genuinamente londrinense, com 63 anos de fundação. Segundo José Eduardo Chaves, o grupo está estruturado e tem recursos humanos necessários para atuar nesse novo mercado. Ele diz que a economia local está perdendo recursos com a venda da TCGL pela família Lopes. ‘‘Os insumos para o funcionamento da frota eram comprados no Município e agora há uma evasão de recursos.’’
Segundo a assessoria de imprensa da TCGL, há um equívoco com relação à compra de peças e produtos fora da Cidade. A TCGL tem como fornecedores a Reifor, PB Lopes, Caiado Pneus, Auto Peças Londrina, Rocopeças, Indústria Nellisa (uniformes) - todas empresas londrinenses. A assessoria cita ainda que a TCGL acaba de comprar 22 novos ônibus do grupo Jabur, que serão incorporados à frota em maio ou junho. Foram investidos cerca de R$ 2 milhões nessa aquisição.
Conforme a assessoria, a TCGL não tem interesse em entrar no setor rodoviário. O grupo Constantino, dono da empresa, já atua no transporte rodoviário no Paraná. ‘‘Viermos para cá apostando em Londrina e fomos bem recebidos’’, disse o coordenador da TCGL, Paulo Bongiovani.
Eduardo Ferreira afirma que respeita a idoneidade da Ouro Branco e da Viação Garcia, e também da TCGL e da Francovig. ‘‘A administração municipal não pode limitar a concorrência a empresas londrinenses. O fato de ser de fora não pode afetar a questão jurídica. Temos que ver o que é melhor para o usuário. A administração pública não pode ser bairrista.’’
O diretor administrativo da Francovig, Francisco Henrique Francovig, afirma que a intenção da Viação Garcia em entrar nesse mercado não terá reflexos no serviço da empresa. ‘‘Somos uma empresa londrinense, investimos na Cidade e vamos continuar investindo para sempre prestar um serviço de qualidade.’’
Ele ressalta que é um direito da Garcia buscar novos mercados. ‘‘As empresas de transporte urbano também podem ser interessar pelo transporte intermunicipal e interestadual, desde que foi decretado o fim da exclusividade nesse mercado.’’ Francovig diz que a empresa está estudando a possibilidade de explorar linhas intermunicipais e interestaduais. ‘‘Estamos nos preparando.’’

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