Curitiba - O portador de necessidades especiais que chega à terceira idade muitas vezes passou por vários lares e abrigos. É o caso dos moradores do Lar Pequeno Cotolengo, de Curitiba, que abriga cerca de 180 adultos e idosos.
De acordo com a coordenadora técnica da instituição, Marly Takarsi Silva, quase todos foram abandonados por suas famílias. E, mesmo após um trabalho de busca de parentes da pessoa, menos de 10% dos moradores do lar têm algum tipo de referência familiar. É o caso de José de Deus Viana, 73 anos. Ele é cadeirante, tem deficiência visual e intelectual severa e é muito dependente para qualquer ação. Morador do lar há quatro anos, ele participa diariamente de diversas atividades sociais como passeios, festas e teatros.
O pastor Udo Walter Fast coordena três residências terapêuticas com 22 moradores de 45 a 93 anos que saíram de hospitais psiquiátricos. Na casa, eles fazem terapia ocupacional e atividades sociais para melhorar a qualidade de vida. Segundo Udo, ''o dinheiro que recebem de aposentaria é administrado por eles próprios, com auxílio dos cuidadores, e todos pagam um plano de luto, além da prestação de um túmulo para serem enterrados com dignidade''.
Nas duas instituições é estimulado o maior convívio entre os moradores. ''Como essas pessoas em grande parte não têm parentes próximos, os outros moradores e funcionários acabam tornando-se a família deles'', conta Maria Takarsi.
O governo do Estado, nos últimos oito anos, optou por uma política de desospitalização dessas pessoas, procurando garantir o vínculo familiar e atendimento ambulatorial. Para tratar da saúde, os idosos com algum tipo de deficiência mental são atendidos em um dos 76 Centros de Atendimento Psicossocial (Caps) do Paraná. Para Rubens Bendlin, membro do Conselho Estadual de Direito da Pessoa Idosa, ''manter essas pessoas em instituições como hospitais e hospícios não era salutar e, agora, só é considerado se o risco justifica o internamento integral ou por um período de tempo maior''.
Em Curitiba os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) - órgãos ligados à administração municipal - buscam reinserir aqueles que têm vínculo familiar na vida em sociedade através de programas de geração de renda. Já aqueles que perderam suas famílias recebem proteção social especial.

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