Via-Sacra lembra realidade dos presos
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sexta-feira, 28 de março de 1997
Osmani Costa 
Marcos BorgesEncenaçãoA Via-Sacra na Catedral de Londrina: atores representaram as 14 estações da Paixão de CristoCentenas de fiéis católicos lotaram na manhã de ontem a Catedral Metropolitana de Londrina e se emocionaram com a encenação da Via-Sacra - em latim, caminho sagrado -, que representa, em 14 fases, ou estações, os principais momentos de Jesus Cristo a caminho do monte Calvário, próximo a Jerusalém (na antiga Judéia, hoje Israel), onde foi crucificado e morto há quase dois mil anos.
A encenação, que durou pouco mais de uma hora, foi montada pelo grupo Paz na Terra, da Pastoral da Juventude, pertencente à própria Catedral. Dirigido por Andréia Boim, a montagem contou com a atuação de 20 atores e dez músicos amadores, além de mais 15 jovens no apoio. Desta vez, aproveitando o tema da Campanha da Fraternidade, a Via-Sacra fez correlações entre o drama vivido por Jesus Cristo e a realidade dos encarcerados brasileiros de hoje.
Também conhecida como Paixão de Cristo, a Via-Sacra retrata em cores fortes - que levou ontem muitos fiéis às lágrimas - as últimas horas de vida de Jesus prisioneiro, ao lado de sua mãe Maria e poucos amigos, sendo empurrado e chicoteado por soldados ao carregar a cruz de madeira em que seria pregado e morto, tendo na cabeça um coroa de espinhos. É o percurso de dor final do homem que mais tarde inspiraria a fundação da Igreja Católica, depois de ser julgado e condenado porque unia e insuflava os humildes contra a força de um reinado injusto, na avaliação de alguns historiadores.
Toda a Via-Sacra foi entremeada por cânticos tristes e pausas para os fiéis rezarem, notadamente, as duas principais orações católicas: o Pai Nosso e a Ave Maria. Houve também vários momentos de reflexão sobre o caminho e a dor de Jesus Cristo e a situação de humilhação, tortura e discriminação por que passa a maioria das pessoas amontoadas nos presídios do Brasil inteiro.
Na Catedral, bem como em todas as outras igrejas católicas, ontem não houve a celebração da missa. Os fiés puderam apenas confessar os pecados ao padres e comungar. O arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin, explica: Este é um dia de muita dor e reflexão para nós, católicos. É um momento especial para lermos o Evangelho e lembrarmos do grande amor de Cristo, que deu a própria vida por nós, para salvar a humanidade. É um momento de meditação e de respeito por Cristo morto. Não é um dia para missas, nem para festas.


