Via interrompida incomoda moradores
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terça-feira, 24 de março de 2009
Carolina Gabardo Belo<br> Equipe da Folha 
Moradores e trabalhadores que frequentam a Rua Bruno Filgueira, no trecho entre as avenidas Silva Jardim e Iguaçu, no bairro Água Verde, reclamam da interrupção da via. O acesso às avenidas República Argentina e Iguaçu, a pé ou de carro, só é possível a partir de um trajeto que aumenta o caminho e compreende mais de uma quadra.
Proprietária de um apartamento localizado na rua, a advogada Sihame Carmona observa de sua varanda a causa do problema. O que justifica a presença de uma placa que sinaliza "Rua sem saída" são dois terrenos no espaço por onde passaria a via. Ela, que mora no local há dois anos, conta que, além da volta que precisa dar para chegar às ruas mais próximas, o empecilho está na indicação de seu endereço para visitantes e entregadores. "Tudo aqui é difícil, todo mundo fica perdido. O telefone demorou meses para chegar. Tenho que indicar direitinho como chega aqui e peço entrega sempre para os mesmos serviços, que já conhecem o endereço", reclama.
Mesmo pequeno -com aproximadamente 50 metros-, o trecho tem o trânsito conturbado. Três estacionamentos possuem saídas para a rua, e, em horário de congestionamento na Silva Jardim, a passagem fica comprometida. Um dos estacionamentos também tem saída para a Avenida República Argentina e era utilizado como atalho pelos pedestres. Há quatro meses, a prática foi proibida pela direção do estacionamento, para evitar a movimentação nas garagens e garantir a segurança. "Passavam por dia umas 30, 40 pessoas. Eram os estudantes que iam para escola de manhã e voltavam na hora do almoço. Tinha também o pessoal que trabalha aqui", lembra o manobrista Carlos Humberto Creveloni.
A empregada doméstica Rosilene de Jesus era uma das transeuntes que cortava caminho pelo estacionamento. Agora, para chegar à Avenida Getúlio Vargas, precisa seguir na direção contrária a de seu destino. "Aumentou mais ou menos em cinco minutos (o tempo do trajeto). Era bem mais fácil", diz.
Do outro lado do muro
Tempos depois da compra de sua casa, há oito anos, a aposentada Mirella Perez assinou um documento sobre a regularização de seu terreno. O objetivo era viabilizar a passagem da rua pelos fundos da casa. Assim, ela construiu um novo muro, deixando livre o espaço que corresponderia à passagem da calçada. O contato com a prefeitura ocorreu antes da atual gestão municipal tomar posse e, desde então, a aposentada não teve mais informações sobre o andamento das negociações.
Atualmente o espaço da rua ao lado do terreno de Mirella é utilizado como estacionamento de visitantes do condomínio em que mora Siham. A informação recebida pela aposentada é que seria um acordo entre a construtora e a prefeitura. O terreno de seu vizinho também compreende a área que seria da rua. Mirella conta que os donos, que não foram localizados pela reportagem da FOLHA, estão no local há mais de 50 anos. "Para mim tanto faz abrir ou não a rua. Só acho que seria mais confortável ficar fechada porque não passaria ninguém por trás da casa", opina.
Procurada pela FOLHA, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que fará nova verificação no local para averiguar a área usada como estacionamento. Informou ainda que a proprietária de uma das casas, construída em 1938, já foi notificada da situação e que o poder público busca soluções jurídicas para o impasse, pois há interesse por parte da administração municipal em abrir a rua.


