'Vi uma pessoa com o rosto todo vermelho de sangue'
''Estava com um grupo de colegas quando fomos para dentro do anfiteatro, por volta das cinco da tarde. Lá, as filas estavam separadas por ordem alfabética. Depois que fiz a minha inscrição, saí do prédio e encostei no pilar da marquise, para guardar os papéis na mochila. Quando reparei, vi que minha bolsa estava encharcada e que estava escorrendo uma água escura pelo pilar. Avisei as pessoas em volta, mas ninguém deu bola. Eu me afastei do pilar e, logo depois, ouvi um grito: 'sai, sai, sai'. Também ouvi um barulho que parecia um trovão. Corri para dentro do anfiteatro, sentindo que caíam umas pedrinhas nas minhas costas. Uma pedra grande caiu na minha cabeça, mas só fez um galo. Depois que a marquise caiu, saí do prédio e vi uma pessoa com o rosto todo vermelho, de sangue. Vi uma menina se arrastando pela grama. Fiquei desesperada, lembrei da minha mãe, dizia para mim mesma que não queria morrer. Algumas pessoas estavam ajudando os bombeiros. Eu fui covarde nesta hora, não ajudei ninguém. Me disseram para eu ir para o hospital, mas fiquei com medo de entrar numa ambulância e ver alguém amputado. Queria voltar para casa no dia seguinte, mas pensei melhor. Tinha que falar alguma coisa. Os responsáveis por isso não podem ficar impunes''.





