Veterinária cobra campanha de alerta
Dorico da SilvaFALTA PREVENÇÃOA veterinária Suzeleine e o cachorro contaminado pela bactéria da leptospirose, que teve de ser sacrificado: ‘‘Meu maior medo é que não vêm sendo realizadas campanhas de esclarecimento dos perigos desta doença’’A falta de informação da população em relação a doenças transmissíveis por animais, entre elas a leptospirose, tem preocupado a veterinária Suzeleine Godoi Bueno, de Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina). Segunda-feira ela recebeu a confirmação de que um cachorro atendido em sua clínica estava contaminado pela bactéria da leptospirose e, a pedido do proprietário, teve que sacrificá-lo.
‘‘Meu maior medo é que não vêm sendo realizadas campanhas de esclarecimento dos perigos desta doença’’, diz a veterinária. Ela lembra que a leptospirose, até uns anos atrás, era registrada apenas na periferia e entre a população de baixa renda. Hoje aparece em todas as regiões da cidade. Uma das explicações, segundo ela, está na diminuição do número de gatos e, consequentemente, no aumento da população de ratos. ‘‘Há quem dê veneno para os gatos alegando que eles incomodam e sujam os muros das casas.’’
Suzeleine acha que pode ocorrer situação semelhante à vivida na Idade Média, quando a Igreja Católica passou a exterminar os gatos, por acreditar na sua ligação com bruxarias, e os ratos proliferaram-se assustadoramente. O resultado foi um surto de tifo que matou milhares de pessoas. No caso da leptospirose, a veterinária esclarece que o gato pode ser contaminado pela bactéria (leptospira), mas dificilmente desenvolve a doença.
Como a infecção acontece através do contato da pele machucada com a urina (do cão ou rato) contaminada ou através da ingestão de alimento contaminado, Suzeleine teme que tenha contraído a doença. ‘‘No início, os sintomas são semelhantes a de outras doenças, por isso acabamos manipulando o animal normalmente. Eu mesma entrei em contato direto com a urina do cão e estou com um ferimento na mão.’’
A veterinária critica o fato de a Prefeitura de Cambé não dispor de um centro de zoonoses (doenças infecciosas ou parasitárias transmitidas pelo animal ao homem) para atender este tipo de caso. Segundo o tecnólogo de saneamento do setor de Vigilância Sanitária do município, Jurandir Antonio Manoel, a prefeitura dispõe de um veterinário responsável pelo controle de zoonoses e higiene e controle de alimentos. Todos os casos de leptospirose notificados, de acordo com Manoel, recebem atenção do órgão.
‘‘Fazemos visita à família e damos as orientações necessárias. Não são casos que exigem bloqueio (medicação para todos os que tiveram contato com o animal infectado) porque a infecção não é tão simples.’’ O tecnólogo explica que a bactéria só consegue penetrar através da pele íntegra (sem lesões) quando há imersão prolongada em água contaminada, já que, neste caso, a pele amolece e facilita a penetração da bactéria. ‘‘Daí o grande perigo das enchentes.’’ (S. L.)

COMO PREVENIR
-Utilizar somente água tratada, clorada ou fervida para beber, cultivar e lavar hortaliças.
-Fazer a limpeza da caixa d’água no mínimo a cada seis meses.
-Embalar em sacos plásticos o lixo destinado à coleta. Em locais onde não há coleta, enterrá-lo ou queimá-lo.
-Manter ralos sempre bem fechados.
-Manter os alimentos em locais onde os ratos não tenham acesso, como armários fechados.
-Usar botas e luvas em situações de risco, como contato com lixo e esgoto.
-Solicitar a limpeza das bocas-de-lobo sempre que verificar entupimentos, pois a água resultando do refluxo pode estar contaminada pela urina de ratos.
Fonte: Vigilância Sanitária do município de Londrina.

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