Em outro bairro tradicional de Londrina, a Vila Nova (Região Central), uma vitrine na Rua Araguaia exibe manequins que há 60 anos anunciam o trabalho de Paulo Tuguo Kakuno, 77. Alfaiate desde 1952, aprendeu o ofício com o irmão mais velho, logo após deixar Araçatuba (Interior de São Paulo) e se instalar em Londrina.
O nome do estabelecimento, Aurora, é a marca de um tecido que antigamente era considerado o melhor do Brasil. Mas não foi a qualidade do tecido que tornou a alfaiataria de seo Paulo uma das mais frequentadas naqueles tempos. ''Todo mundo mandava fazer os ternos e eu era bem conhecido. Cheguei a ter cinco funcionários porque eram muitos pedidos. Eu chegava a fazer 10 ternos por semana, mas hoje faço um'', comenta.
A queda no movimento, segundo ele, se deve ao surgimento de lojas de roupas e à mudança das pessoas no estilo de vestir. ''Antigamente, todo mundo usava terno. Eu atendia muitos doutores, juízes, fazendeiros e até o ex-governador (interino) do Paraná, Otávio Cesário'', diz orgulhoso o alfaiate que também era responsável pela vestimento do palhaço Picolino. ''Ele era gordo e precisava de ternos e calças sob medida'', comenta.
Seo Paulo também se recorda que naquele tempo existiam 52 alfaiates na cidade. ''Hoje, sobraram só meia dúzia'', lamenta ele, ao ressaltar que as encomendas que recebe são daqueles que precisam de medidas diferenciadas e, é claro, amigos que se habituaram com as roupas da Alfaiataria Aurora.
Além dos manequins, o local preserva o ferro de passar, a máquina de costura e as tesouras, que assim como seo Paulo, não pararam de trabalhar em nenhum momento. ''Já aposentei, mas se eu parar, o que vou fazer da vida? Gosto de ser alfaiate e vou seguir aqui até quando eu tiver condições de atender meus clientes'', afirma. (M.O.)

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