Vestibular para índios tem 30 candidatos
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sábado, 01 de fevereiro de 2003
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Trinta índios das reservas do norte do Estado fizeram a inscrição para o segundo Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná, que acontecerá de 14 a 16 de fevereiro na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O número não inclui os candidatos do restante do Estado. As incrições se encerraram ontem. No primeiro vestibular, realizado pela Unicentro, em Guarapuava, 51 índios de todo o Paraná se inscreveram e 49 fizeram o concurso.
Os indígenas vão disputar 18 vagas, três em cada universidade estadual. Nas inscrições feitas em Londrina, que atende as reservas de Apucaraninha, Laranjinha, Pinhalzinho, São Jerônimo da Serra e Barão de Antonina, as opções de cursos ficaram distribuídas principalmente entre as áreas humanas e biológicas. Apenas um se candidatou ao curso de ciências da computação.
Segundo o presidente da comissão interinstitucional do Vestibular dos Povos Indígenas, Luiz Rogério Oliveira da Silva, a maioria optou por tentar uma vaga em pedagogia na UEL. ''São professores que já atuam na comunidade indígena e estão preocupados com a obrigação do diploma'', explicou. Mas também há interessados nos cursos de enfermagem, educação física, medicina, direito, música e artes cênicas.
Gilda Kuitá, de 46 anos, é uma das professoras que vão disputar vaga para pedagogia. Esse será o seu segundo vestibular. No ano passado, ela conseguiu uma das vagas da Universidade Estadual de Maringá (UEM), mas como mora na reserva do Apucaraninha, optou por tentar outra vaga em Londrina. ''Ficar distante da família não é do nosso costume'', disse.
Candidato ao curso de biologia, Romário Ferreira Souza, de 38 anos, da reserva São Jerônimo, quer aprofundar seus conhecimentos sobre plantas e animais. ''Quero ser professor dentro da reserva e passar o que aprendi para o meu povo'', disse.
Para Evelise Viveiro de Machado, chefe interina da Funai em Londrina, fazer um curso superior significa para os índios a busca pela autonomia e ''o preparo para cuidar do que é deles''. O vestibular específico para a comunidade indígena foi criado através de lei estadual de abril de 2001. Os candidatos fazem provas oral e de Redação, Matemática, Língua Estrangeira (inglês ou espanhol), Biologia, Física, Química, Geografia e História.


