Vestibular indígena começa hoje
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sexta-feira, 08 de dezembro de 2006
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Índios das mais diferentes regiões do Paraná se preparam para o Vestibular dos Povos Indígenas, marcado para os dias 9 e 10 de dezembro, em Curitiba, e entre hoje e sábado, em Ponta Grossa. As incrições foram feitas gratuitamente e a Fundação Nacional do Índio (Funai) já articulou o transporte dos candidatos, estada e alimentação com recursos da Secretaria de Ensino Superior do Ministério de Educação e Cultura (MEC). Este ano, estão sendo ofertadas 23 vagas distribuídas entre as universidades estaduais e a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ao todo, 136 índios se inscreveram. Setenta e dois deles nas seis universidades estaduais: cada uma delas ofertou três vagas aos índios. A média é de quatro candidatos por vaga nas universidades estaduais e 13 candidatos por vaga na UFPR, onde foram feitas 64 inscrições.
De acordo com a professora Cristiane Ribeiro da Silva, coordenadora do Núcleo de Atividades Formativas da UFPR, os índios puderam escolher os cursos de maior interesse para a seleção. Apenas foi vetada participação e seleção em Medicina. ''Neste ano, resolvemos não ofertar o curso para que dê tempo de terminar a formação acadêmica daqueles que ainda estão fazendo o curso. Somente na UFPR são cinco universitários indígenas na graduação de medicina'', ponderou. O vestibular dos índios é específico. Eles disputam vagas complementares nas universidades.
Os aprovados passarão por testes vocacionais. As 18 vagas ofertadas pelas instituições mantidas pelo governo paranaense estão reservadas para os que comprovarem residência em reservas localizadas no Estado há pelo menos dois anos. Já a UFPR oferece 5 vagas para índios de qualquer ponto do Brasil, com carta de recomendação da liderança da comunidade onde reside e da Funai. Eles farão provas orais de Língua Portuguesa e escritas de Língua Indígena ou Moderna, História, Biologia, Física, Geografia, Química e Matemática.
Esporte - Com 20 anos, Marcos Primo se prepara para o disputar uma vaga para a Universidade Estadual de Maringá (UEM). Ele decidiu disputar o curso de Educação Física. Desde pequeno, Marcos gosta de jogar futebol de salão e se destaca na prática de vários esportes. ''O menino é um atleta'', conta o pai Virlei Primo, de 52 anos, conhecido como ''Bocalúdio'' na tribo guarani. Virlei tem outros dois filhos. Um já está cursando Medicina na UEM. O caçula tem 12 anos e ainda não definiu que rumo tomará. ''Meus filhos já nasceram na cidade e têm outra mentalidade. Eles conhecem a vida dos brancos e não têm problemas de adaptação aqui.''


