Vestibular indígena atrai quase 500 candidatos
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Rafael Fantin <br>Reportagem local
Prestar serviços odontológicos no Parque Indígena Xingu é o sonho da jovem mato-grossense Yakumipu Waura, que presta pela primeira vez um vestibular indígena na Universidade Estadual de Londrina (UEL), instituição anfitriã responsável pelo processo seletivo neste ano no Paraná. "Quero fazer faculdade e voltar para minha aldeia no Xingu para atender a população. Dentistas ficam pouco tempo nas aldeias do parque e logo retornam para a cidade", disse Yakumipu, que faz parte do grupo de 495 indígenas que disputam 52 vagas em sete universidades estaduais e na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Hoje, a UEL aplica a prova de Redação e prova objetiva, composta por 40 questões de Língua Portuguesa, Língua Estrangeira ou Língua Indígena (Guarani ou Kaingang), Biologia, Física, Geografia, História, Matemática e Química. Ontem, foi realizado o primeiro dia de provas com exames orais de língua portuguesa.
A pró-reitora de Graduação da UEL, professora Angela Maria de Souza Lima, explicou que os candidatos são provenientes de reservas de todo o Paraná e dos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Amazonas. "Os indígenas paranaenses concorrem a seis vagas em cada universidade estadual. Já a UFPR possui dez vagas para estudantes dos outros Estados", esclareceu. Os candidatos e acompanhantes estão alojados na sede da Associação do Pessoal da UEL (Apuel) e três refeições por dia são oferecidas no Restaurante Universitário (RU), que voltou a atender o público na última segunda-feira após reforma na estrutura física.
De acordo com a pró-reitora, os alunos optam pela universidade no momento da inscrição e escolhem o curso depois da aprovação no momento da matrícula. No entanto, os aprovados na UEL passam por cursos interculturais e por reforços pedagógicos com conteúdos dos ensinos médio e superior antes de confirmar o curso de graduação. "A UEL é a única universidade no Brasil que realizada essa preparação com objetivo de diminuir a evasão dos alunos, em torno de 25% no Estado. A identificação com o curso é fundamental. Apoiamos a política de inclusão social, importante para diminuir as desigualdades no acesso e na permanência no ensino superior", declarou.
O mato-grossense Maurílio Maikoma disse que o primeiro dia de prova foi diferente de outras universidades, onde já prestou vestibular. "A dificuldade foi média, mas eu estava preparado. Agora, vamos ver como vai ser o último dia de prova", comentou o índio da Aldeia Pakuenra. Maikoma espera ser aprovado em Direito na UFPR, onde o primo já é aluno do curso de Agronomia. "Ele pode me ajudar na adaptação em Curitiba", acrescentou.
Morador da Reserva Apucaraninha, em Tamarana (Região Metropolitana de Londrina), Giovane de Almeida se inscreveu pela primeira vez no vestibular. "Me preparei com estudos em casa para o curso de Engenharia da Computação. Sempre gostei muito de química, matemática e física e comecei a mexer no computar quando tinha 15 anos." Almeida disse que optou pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) por causa da estrutura oferecida pelo centro cultural da cidade.