A Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam) vai incluir os novos cursos de engenharia em agroindústria e matemática no vestibular do ano que vem. Os cursos ainda estão em fase de implantação e podem não ser iniciados em 98. O anúncio de que eles já farão parte do próximo vestibular, no entanto, foi feito pelo presidente da Comissão Permanente de Vestibular (CPV), o vice-diretor Rubens Luiz Sartori.
‘‘Incluímos os novos cursos porque temos a certeza de que eles serão uma realidade em 98’’, explica o professor. ‘‘Com isso, estamos reafirmando o compromisso de construirmos na prática a Universidade Regional tão sonhada pela região’’, completa. As inscrições para o vestibular 98 serão abertas no dia 15 de dezembro e poderão ser feitas até 16 de janeiro. As provas estão marcadas para ocorrer entre os dias 2 e 5 de fevereiro.
A luta por novos cursos na Fecilcam começou há dois anos e se intensificou este ano. No final de junho, o governador Jaime Lerner (PFL) assinou protocolo de intenções para que a faculdade pudesse montar os laboratórios exigidos pelos dois cursos reivindicados. O dinheiro, porém, ainda não foi liberado. Dos R$ 325 mil necessários, o governo do Estado promete repassar pelo menos R$ 200 mil. O restante ainda é incerto.
‘‘Vamos tentar convencer o governo a nos liberar toda a verba’’, diz o prefeito Tauillo Tezelli (PSDB). ‘‘Se isso não for possível, vamos ter que nos virar na própria comunidade’’. A idéia é buscar ajuda em todos os 25 municípios da região. Em Campo Mourão, a Associação Comercial e Industrial (Acicam) já prometeu empenho numa campanha em busca do dinheiro. Mas antes é preciso que o governo do Estado libere os R$ 200 mil.
Críticas Mesmo sem o dinheiro do Estado, Tezelli está autorizando a abertura da licitação para a compra dos equipamentos dos laboratórios. Assim como a inclusão dos cursos no vestibular, a operação é considerada de risco. ‘‘Vamos adiantar o processo’’, esclarece o prefeito. ‘‘Assim, quando o dinheiro chegar já estaremos com a licitação concluída e teremos ganhado um tempo precioso’’. Um dos receios da Fecilcam é que os recursos cheguem tarde demais para 98.
‘‘Os cursos da faculdade não podem se transformar em uma nova Boiadeira’’, protesta o vereador José Eugênio Maciel (PSDB), referindo-se à pavimentação da Estrada Boiadeira (BR-487), que Campo Mourão reivindica há mais de 40 anos. O vereador critica também o Conselho Federal de Educação (CFE), que vem demorando demais na aprovação da universidade que o Grupo Integrado pretende criar em Campo Mourão. A luta já dura mais de três anos.
Segundo Maciel, a atitude do governo federal é ‘‘um desrespeito’’. ‘‘O governo não investe em novas universidades e ainda impede que a iniciativa privada o faça’’, ataca. ‘‘Trata-se de uma conduta absurda e irresponsável’’. O Grupo Integrado, que atualmente mantém um colégio em Campo Mourão, é formado por 44 empresários do município e já protocolou o pedido para implantação de 11 cursos superiores. Cinco deles já tiveram aprovação do CFE.

mockup