Curitiba - O Vestibular dos Povos Indígenas será disputado por 750 candidatos de diferentes etnias, entre elas Kaingang, Guarani, Xetá, Fulni-ô e Terena. Eles concorrerão a 52 vagas, sendo seis em cada uma das sete universidades estaduais e dez na UFPR (Universidade Federal do Paraná). O número representa um aumento de mais de 1000% na procura por cursos de graduação desde que foi criado, há 17 anos. As provas serão realizadas nos dias 17 de 18 de novembro e, após a aprovação, os alunos escolhem os cursos de interesse.

A novidade desta 19ª edição do Vestibular dos Povos Indígenas é a aplicação das provas que ocorrerá de maneira regionalizada nas cidades de Manoel Ribas, Nova Laranjeiras, Mangueirinha, Londrina e Curitiba. A Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior oferecerá transporte para que os candidatos se desloquem das terras indígenas para os locais de aplicação de provas, além de refeições e alojamento.

POLÍTICA PIONEIRA

A política de inclusão indígena no ensino superior do Paraná, por meio do vestibular, é pioneira no Brasil e contribui para melhorar a vida das comunidades. O vestibular foi aprovado como lei em 2001 e o primeiro processo seletivo ocorreu no ano seguinte. As universidades estaduais possuem 215 estudantes indígenas matriculados em cursos de graduação e pós-graduação.

“A universidade me proporcionou uma mudança de vida que interfere na comunidade em que vivo. Tenho planos de continuar estudando em uma universidade pública para me aprimorar ainda mais”, diz, em entrevista à Agência Estadual de Notícias, Elis Regina, formada em odontologia na UEL (Universidade Estadual de Londrina), com especialização em odontopediatria. Ela nasceu na aldeia indígena de Laranjinhas, no município de Santa Amélia (Norte) e foi a primeira indígena a inaugurar um consultório na cidade. Ela atende mensalmente mais de 400 pessoas da comunidade em que vive.

Segundo o cacique da terra indígena de Laranjinha, Everton Lourenço, os profissionais indígenas melhoraram significativamente diversos aspectos das comunidades onde residem. “Na escola indígena mais de 80% dos profissionais cursaram uma universidade estadual, isso motiva as crianças a conquistar um futuro melhor por meio da educação de qualidade”, afirma ele.

O Vestibular Indígena foi aprovado como Lei no ano de 2001 e o primeiro processo seletivo ocorreu em 2002. “As universidades estaduais e a UFPR são instituições de excelência que oferecem cursos de graduação bem avaliados. O vestibular indígena é uma política de transformação social e econômica na vida do estudante”, ressalta o superintendente, Aldo Bona. O governo do Estado financia a realização do vestibular e investe na permanência dos estudantes por meio de um auxílio mensal.

CUIA

As universidades estaduais já formaram 75 estudantes em diferentes cursos de graduação. Na pós-graduação, a UEL possui um estudante indígena (kaingang) no programa de pós-graduação em Serviço Social e Política Social; e a Universidade Estadual de Maringá um estudante e um aluno formado no mestrado em Educação.

Cerca de 80% dos indígenas que se formam ainda possuem vínculo com sua comunidade, sendo que a maioria atua na área de Educação. Para a presidente da Cuia (Comissão Universidade para os Índios), Juliane Sachser Angnes, o número de graduados pode parecer pequeno, porém, é extremamente significativo. “O projeto de inclusão dos povos indígenas no ensino superior no Paraná e no Brasil é desenvolvido a longo prazo. A representatividade e a transformação na vida dos alunos são significativas”.

A Cuia desenvolve ações de valorização da herança cultural e os saberes dos indígenas, com acompanhamento pedagógico e parcerias interinstitucionais. “A experiência inédita do Paraná possibilita um aprimoramento da política pública ao longo dos anos. Somos referência no Brasil e em diversos estados e universidades que utilizam nosso exemplo como modelo”, ressaltou o membro da CUIA Wagner do Amaral.

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