Ontem, no primeiro dia de provas do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), foi registrado índice recorde de desistência - 23,6% do total de 18,1 mil vestibulandos faltaram, o que representa 4.282 candidatos. No vestibular de verão de 2001, o índice de desistência foi de 11,55%, dentro da média histórica da UEL, que oscila de 10% a 11%. O número de candidatos que faltaram nas provas de redação e português ontem é o dobro das ausências que normalmente são registradas em cada dia de vestibular, cerca de 2,1 mil.
Do total de desistentes, 993 candidatos haviam pedido antecipadamente cancelamento das inscrições. Isso porque o concurso, normalmente realizado em janeiro, teve que ser adiado por causa da greve de 169 dias de funcionários e professores.
A vice-reitora da UEL, Vera Lúcia Suguihiro, disse que, mesmo alto, o índice de desistência histórico era esperado. ‘‘O número de desistências está acima da média, mas se formos considerar toda adversidade que tivemos é um índice esperado.’’
Apenas uma candidata, ontem, chegou atrasada e não conseguiu fazer as provas. De acordo com a assessoria de imprensa da UEL, a vestibulanda deveria fazer o concurso numa escola do Conjunto Cafezal (zona sul), mas chegou 40 minutos depois de iniciadas as provas, às 14 horas. Três atendimentos médicos, sem gravidade, foram registrados no primeiro dia.
O tema da redação, ‘‘Transformações sociais e culturais decorrentes do advento e popularização da Internet’’, agradou a maioria dos vestibulandos. ‘‘A Internet, mesmo representando mais conhecimento e cultura, também pode se tornar um vício, e contribuir para o sedentarismo dos jovens’’, disse Daniele D’Angelo, de 17 anos, que concorre a uma vaga de medicina. Para Sabrina Vieira Mioto, 18 anos, concorrente a uma vaga em relações públicas, o tema da redação foi uma ‘‘surpresa’’. ‘‘Imaginava que o tema seria sobre televisão ou crise na Argentina’’, observou. ‘‘Português não foi tão difícil, tenho medo é de história e geografia.’’
Hoje, acontecem as provas de química e biologia, a partir das 14 horas. É recomendado aos candidatos chegarem uma hora antes do início das provas. Os candidatos disputam 1.525 vagas.
Oito candidatos com necessidades especiais estão recebendo atendimento diferenciado - seis fazem provas ampliadas, um em braile e um candidato com dificuldades de coordenação motora faz a prova em sala individual. O vestibular termina sexta-feira, quando acontecem as provas específicas para os cursos de educação artística, estilismo em moda, arquitetura e urbanismo, desenho industrial e música.

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