O vestibular trouxe para a cidade muita gente sonolenta e ansiosa na manhã de ontem, véspera do exame de seleção da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Grande parte dos 22,3 mil inscritos chegou pela manhã e pela tarde. Logo no amanhecer, chegaram em dezenas de ônibus, vindos de todas as partes do país, especialmente do estado de São Paulo.
Um acidente ocorrido na BR-376 atrasou a chegada dos carros que vinham do sul, passando por Curitiba. Só de Florianópolis vieram sete ônibus extras. ''Chegou muita garotada, mas não tivemos qualquer problema, não houve contratempos fora o atraso causado pelo acidente'', comentou Doriedson Oliveira Pinho, supervisor do terminal rodoviário.
O rosto não escondia o sofrimento dos estudantes Henrique Matana Malta, 17 anos, e Joaquim Moretti Neto, 18. A dupla fez uma aventureira viagem, embarcando na terra natal, Ji-Paraná (RO). Foram 37 horas de assento. ''Dormir até que dá, mas descansar mesmo, não dá para descansar não'', lamentou Joaquim, que vai tentar medicina. Pelo menos, os dois já têm apartamento alugado. Não precisaram procurar hospedagem para os três dias de prova. ''Dá até para arrumar um troco com a rapaziada que quiser ficar com a gente. Mulher bonita a gente nem cobra'', brincou Henrique, que pretende ser engenheiro civil.
Um total de oito serviços de hospedagens instalaram recepções para os candidatos que chegavam na rodoviária. Alguns desembarcaram com tudo acertado. Outros, no entanto, vieram na cara e na coragem. A corretora de imóveis Shirley Rodrigues Bueno tinha 30 vagas na sua casa, no Jardim Champagnat (zona oeste). Até a manhã de sábado, apenas seis candidatos haviam chegado, e dormiam depois de longa viagem. A corretora esperava a maioria para o período da tarde.
Shirley considerava a procura boa, mas acreditava que poderia ser até maior. ''Mesmo tendo número recorde de inscrições, o vestibular está sendo feito junto com o da Universidade Federal em Florianópolis, que rouba bastante gente daqui'', opinou. ''Quem passou na primeira fase da Fuvest também não dever vir''. No centro de eventos do Shopping Catuaí, 1,7 mil alunos de cursinho se acotovelavam para assistir os aulões do Mega Plantão. A expectativa era de que esse número chegasse a 2,5 mil na parte da noite, quando teriam vez as aulas de maior interesse aos candidatos da área de Ciências Humanas.
Marcus Vinicius dos Reis, coordenador pedagógico do cursinho Sigma, acreditava que 200 eram de fora de Londrina. Chegaram antes para aproveitar os concentrados. ''Tem gente de São Paulo, do Mato Grosso, e até do Rio de Janeiro, que entrou em contato conosco durante a semana, querendo aproveitar o plantão'', ressaltou. As atividades também ocorrem na noite de domingo, visando as provas da segunda-feira.
Na Coordenação Permanente de Seleção (Copese), no campus da UEL, pouca movimentação. Mais candidatos eram esperados pela parte da tarde. Alguns servidores trabalhavam no isolamento da área de provas, e ajeitavam os últimos detalhes. Ao lado do prédio do Centro de Ciências Humanas (CCH) um grupo de vestibulandos procurava abandonar a angústia pré-provas com exercícios de yoga. Enchiam o pulmão de ar, esticavam os braços, e soltavam músculos para tirar o acúmulo de tensão. Marcela Guimarães, 17 anos, candidata de administração, disse que tentava dominar as dores de estômago e de cabeça que vinha tendo durante a semana, resultantes, acredita, do nervosismo. ''Descobri esse ano no colégio, e acho que tem me ajudado bastante'', afirmou.
As provas de hoje serão de conhecimentos gerais (biologia, artes, filosofia, física, geografia, história, matemática, química e sociologia).

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