Vestibular começa com abstenção alta
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domingo, 26 de julho de 1998
Giovani Ferreira 
Celso MargrafDesesperoPortões foram fechados às 7h45 e a prova teve início às 8h25; muitos chegaram atrasadosMuita gente chegando atrasada e errando o local de realização das provas. Foi assim ontem o primeiro dia do Vestibular de Inverno da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O índice de abstenções foi o maior já registrado na história dos vestibulares da UEPG. Somente no primeiro dia do concurso, 1.016 candidatos não compareceram ou chegaram atrasados e não puderam realizar as provas. Com 9.494 inscritos, o percentual de ausentes chegou a 10,7%. Normalmente as abstenções ficam entre 5 e 7%
Somente no bloco A do prédio central da UEPG, onde 24 turmas realizam as provas, mais de 20 candidatos chegaram atrasados. Isso, sem contar os que não apareceram para fazer as provas, que na média somam de 7 a 8 por turma. Ivan Ferreira, que iria tentar uma vaga para comércio exterior, chegou 5 minutos atrasados e perdeu o vestibular. Ivan culpa a comissão organizado, que segundo ele, teria lhe informado errado o local da prova.
Os portões fecharam às 7h45 e a prova teve início às 8h15. A CCV se defende das reclamações dos candidatos, alegando que os locais e horários das provas foram divulgados com antecedência.
Uma van, de Curitiba, que trazia nove candidatos, chegou atrasada e complicou a vida de alguns vestibulandos. Três conseguriram fazer as provas, mas os outros seis voltaram para casa decepcionados. O trânsito intenso na Avenida Carlos Cavalcanti, que dá acesso ao câmpus de Uvaranas, aos colégios Augusto Ribas e Borel Du Vernay, onde mais de 3 mil candidatos deveriam fazer as provas, também contribuiu para o atraso de muitos candidatos.
Depois que a UEPG optou por realizar dois vestibulares por ano, este é o maior concurso já realizado pela instituição. São 9.494 candidatos disputando 705 vagas em 25 cursos de graduação.
Ontem foram realizadas as provas de língua portugesa, literatura brasileira, língua estrangeira e redação. Apenas uma candidata faz vestibular em banca especial. Manoela Malanese Franco, de Maringá, deficiente visual, está realizando as provas em uma sala separada.
A prova de redação foi a surpresa dos candidatos. Esperando e preparados pelos cursinhos pré-vestibulares para um tema atual, como reeleição, privatização ou Copa do Mundo, por exemplo, os vestibulandos tiveram que improvisar uma redação. A CCV preparou dois temas, dando aos candidatos a opção de escolher.
Uma da alternativas era um texto de Millor Fernandes sobre a reforma ortográfica. A prova pedia uma análise em prosa do texto. A outra opção, que também pedia um texto em prosa, eram duas charges: uma mostrava uma pessoa grande, segurando um pequeno violino, e a segunda um homem pequeno com um grande violino. Apesar da surpresa, o tema foi considerado fácil por muitos vestibulandos.


