Dorico da SilvaInsonesO síndico Bobroff e a advogada Fátima em frente ao bar: para eles, vestibular não foi bom negócio Se o vestibular da Universidade Estadual de Londrina está sendo um bom negócio para os proprietários do bar Casa da Cachaça, localizado na rua Professor João Cândido, 911 (centro), o mesmo não acontece com os moradores dos prédios residenciais daquela região. O barulho provocado pelos frequentadores do bar, das 21 horas até por volta das 4 horas da madrugada, não deixou que muita gente dormisse na terça-feira. Ontem pela manhã, a Folha recebeu vários telefonemas de moradores de três prédios - Isaura, Kennedy e Marques do Heval - todos reclamando do barulho.
O síndico do edifício Isaura, João Jorge Bobroff Júnior, localizado na rua Espírito Santo, conta que muitos condôminos reclamaram da bagunça provocada pelos frequentadores do bar, principalmente na noite de terça-feira. ‘‘Eu não sou contra a bagunça. Os jovens têm o direito de se divertir, mas não aqui, uma área totalmente residencial’’, diz. ‘‘Aqui moram famílias que trabalham durante o dia e à noite querem descansar.’’
Todos os moradores que procuraram a Folha dizem que nos finais de semana é perturbador o barulho provocado pela Casa da Cachaça, mas relatam que na época de vestibular o problema fica ‘‘insuportável’’. A advogada Fátima Aparecida Lucchesi, moradora do edifício Isaura, conta que chegou de viagem na segunda-feira de madrugada e teve dificuldades para guardar o carro na garagem. Isso porque os frequentadores haviam fechado a rua João Cândido, estacionando os carros no meio da via.
Além da música do bar, a advogada diz que os jovens abrem as portas dos veículos e ligam o som ao máximo. O marido dela nem chegou a dormir porque às 6h30 teve que sair para trabalhar. ‘‘Parece que tem um conjunto de samba dentro da nossa casa.’’
A monitora de serviço social Antonieta Juliani, moradora do edifício Marques Do Heval, na rua Espírito Santo, calcula que na noite de terça-feira havia 4 mil pessoas na rua, em frente ao bar. ‘‘O pessoal coloca o carro em qualquer lugar, abre a parte de trás e deixa o som no último volume’’, afirma. Ela chamou de hora em hora a Polícia Militar, mas o problema não foi resolvido.
No ano passado, lembra Antonieta Juliani, os moradores dos prédios das imediações fizeram um documento com 500 assinaturas, pedindo o fechamento da Casa da Cachaça. ‘‘Acho que vamos ter que entrar com pedido de indenização contra o bar, porque nossa saúde está sendo afetada. Afinal, são noites e noites sem dormir durante o final de semana.’’
O diretor do Departamento de Fiscalização da Prefeitura, Denio Ely Farion, conta que desde o ano passado o Município tenta obrigar a Casa da Cachaça a funcionar somente até as 23 horas e sem música ao vivo, conforme o primeiro alvará liberado. Em 96, a Prefeitura tentou cassar o alvará do estabelecimento. Os proprietários, então, entraram com um pedido de mandado de segurança para que o bar continuasse a funcionar. A liminar favorável à Casa da Cachaça para funcionamento, não apenas até as 23 horas, mas por 24 horas, foi concedida em julho pelo juiz da 1ª Vara Cível, Manoel Sebastião da Silveira Filho. A Prefeitura recorreu da decisão do juiz Silveira Filho junto ao Tribunal de Justiça, em Curitiba, onde está o processo.
Farion aconselha a comunidade: quando houver esse tipo de problema, deve-se registrar queixa na delegacia de polícia mais próxima. ‘‘Após às 22 horas, o problema é caracterizado como perturbação do sossego público, previsto no artigo 42 da Lei de Contravenção Penal.’’
Na Casa da Cachaça, funcionários do bar informaram que o proprietário, identificado apenas como Oswaldo, não estava. A Folha tentou localizá-lo, através do telefone celular, deixando recado na secretária eletrônica, mas ele não retornou a ligação.

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