Vestibulandos estão ainda mais estressados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Este ano foi atípico para os alunos que se preparam para o vestibular. Primeiro, souberam que a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) abordaria questões da vida diária das pessoas. No meio do ano as aulas foram interrompidas por duas semanas devido à epidemia de gripe H1N1. Quando o Enem foi cancelado por fraude, o nível de estresse dos alunos já estava nas alturas.
Foi o que aconteceu com Luiz de Almeida Bacarin, 19 anos, candidato a uma vaga para Medicina em dez instituições diferentes. Natural de Umuarama, ele se mudou para Curitiba com o objetivo de se preparar para o vestibular. Este mês já realizou provas em duas universidades e as próximas semanas serão puxadas, pois haverá teste em todos os domingos até a véspera do Natal. Ele procurou ajuda de um psicólogo para cuidar da saúde física, mental e emocional.
Bacarin evita ficar muitas horas sem se alimentar, caminha e faz exercícios de respiração. Alongamento e yoga também estão na agenda diária. ''Nos outros anos o estresse foi grande. Mas neste ano foi maior. Após a gripe (H1N1) tivemos reposição de aula em cinco domingos seguidos. Foi mais de um mês de aula sem um dia de descanso. Nos anos anteriores eu cheguei em novembro menos cansado.'' Este é o terceiro ano que ele tenta entrar em uma universidade.
Outra preocupação assola os estudantes: a credibilidade do Enem. ''A segurança será maior? Não sabemos se o conteúdo da prova vai vazar'', reclama o futuro médico. A preocupação tem motivo, já que algumas instituições optaram por usar o exame como classificação para ingresso na faculdade.
Ansiedade necessária
Para o psicólogo Ivo Carraro, coordenador de atendimento ao aluno do Curso Positivo, a ideia de fazer uma prova unificada, como o Enem, é ótima, mas difícil na prática. ''Há lugares de difícil acesso e manter a prova em sigilo até chegar lá é complicado.'' Esse foi um dos motivos do aumento de 20% no número de atendimentos feitos por Carraro este ano. ''Os alunos se decepcionaram (com o cancelamento da prova do Enem). Ficaram inseguros. Ficou uma marca na confiança do processo.''
Carraro utiliza conceitos da psicanálise para combater o medo, mas procurar ajuda em cima da hora não adianta. ''O aluno vai ficar cinco horas sentado realizando uma prova extensa. Se não tiver um bom preparo físico, estará esgotado em duas horas'', explica. Uma das formas de evitar esse desgaste é respeitar as oito horas diárias de sono e alongar braços e pescoço. ''A ansiedade é necessária, pois impulsiona o cidadão a agir. Mas esse sentimento em excesso se transforma em medo.''
O coordenador geral do curso Dynâmico, Sérgio Garcia Júnior, afirma que a gripe A foi um dos principais motivos da afobação dos vestibulandos. A instituição disponibilizou na internet vídeos com o conteúdo das aulas, mas mesmo assim os alunos ligavam e pediam a volta das aulas. ''Trabalho nesse ramo há 12 anos e percebi que 2009 foi o mais pesado para eles.''
A ansiedade se manifesta em uma região do cérebro, onde funciona o núcleo emocional. Em excesso, ela se irradia para a parte racional do órgão. Assim, o conhecimento é ''sequestrado'' e acontece o ''branco''. A emoção corta a razão.
O professor Ivo Carraro utiliza conceitos de psicanálise para que o aluno trabalhe a emoção e controle o nível de ansiedade. Como essa ''assistência psicológica'' na hora da prova não pode ocorrer, o jeito é estudar e segurar a ansiedade.


