Lucinéia Parra
De Maringá
Centenas de estudantes interessados em ingressar em uma universidade enfrentam desafio em dose dupla desde domingo. Eles participam do vestibular de inverno da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no período da manhã, e do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), à tarde.
Para participar dos dois concursos, os candidatos enfrentam uma verdadeira maratona: por volta das 11 horas começam a sair dos locais de prova em Maringá, fazem um lanche rápido enquanto aguardam a saída do ônibus, trocam informações com os amigos, conferem o gabarito da prova do dia anterior e finalmente seguem com destino a Londrina. Depois de uma hora de viagem os vestibulandos estão nos locais de provas, prontos para resolver as questões do segundo vestibular do dia.
A estudante Lucimar Bortoluzzi, 19, já se acostumou com a maratona. Ela tenta uma vaga no curso de enfermagem na UEM e outra no curso de veterinária na UEL. Ontem, no terceiro dia dos concursos, ela só reclamava da diferença de disciplinas em um mesmo dia de provas. ‘‘Fiz prova de comunicação e expressão hoje (ontem) de manhã na UEM e à tarde as provas serão de física e matemática na UEL. Às vezes dá um nó na cabeça da gente’’, disse.
Os candidatos Rodrigo César Resende, 16, e Osvalmir Sá da Silva, 16, confessam que o nervosismo do primeiro vestibular é o principal problema. ‘‘Participar dos dois vestibulares até que está sendo bacana, mas na hora da prova dá um pouco de nervoso’’, revelou Osvalmir.
Para que os dois participem dos concursos toda família acabou se envolvendo. Rodrigo e Osvalmir moram em Campo Mourão. As mães não puderam acompanhá-los, então a tia Adelice Ane de Oliveira, que mora em Cascavel, se deslocou até Maringá. Os três - sobrinhos e tia - estão hospedados na casa de um parente em Maringá. Desde domingo, Adelice e uma sobrinha dela, encarregam-se de levar Rodrigo e Osvalmir até os locais de prova em Maringá antes das 8 horas, e de buscá-los por volta das 11 horas. Em seguida, levam os dois até o local de parada do ônibus, nas proximidades do câmpus da UEM. Antes de buscá-los, passam em uma lanchonete e providenciam os lanches dos candidatos. -
À noite, tia e sobrina retornam ao ponto de parada do ônibus para buscar os candidatos. A dedicação aos sobrinhos, segundo ela, não exige tanto sacrifício. ‘‘A gente faz isso por amor e já estou me preparando para o próximo ano quando a minha filha prestar o vestibular’’. Hoje é o último dia dos concursos da UEM e UEL.

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