Vestibulandos disputam livros de lista da UEL
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quinta-feira, 13 de novembro de 2003
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A Biblioteca Pública Municipal de Londrina não possui exemplares suficientes das obras relacionadas na lista de livros pedidos pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) para o vestibular. A falta de exemplares também é sentida nos sebos da cidade, onde a procura pelas obras meses antes do concurso já é grande.
Para os alunos do terceiro ano do ensino médio do Colégio Estadual Vicente Rijo, a obra Novelas Paulistanas é a mais difícil de ser encontrada. O estudante Joel Viana Rabello Júnior, 17 anos, que vai prestar vestibular para jornalismo, iniciou a procura pelos livros no início do ano. ''Já tive dificuldade para achar algumas das obras'', afirmou. Ele já leu O Cortiço, que emprestou de uma amiga, e conseguiu comprar Novelas Paulistanas em sebo por R$ 3,00.
Companheira de sala de Joel, Lílian de Camargo, 17, vai tentar uma vaga no curso de letras. Segundo ela, outro problema é que os livros da Biblioteca Municipal são antigos e pouco conservados. Para Bruna Maria de Souza Scoponi, 17, que tentará vaga em ciências sociais, o problema é a falta de punição da biblioteca. Apesar de o prazo de empréstimo não ser renovável, o atraso acarreta apenas um dia de suspensão. Por isso, segundo Bruna, os atrasos são constantes.
No acervo da Biblioteca Pública, estão disponíveis somente 106 exemplares das obras da lista. São 21 de Senhora, 15 das obras Fogo Morto e Inocência, 12 de O Primo Basílio, 11 de O Cortiço e dez de Sagarana. As obras mais escassas são Farsa de Inês Pereira e Morte e Vida Severina com oito, Um Cartão de Paris com quatro e Novelas Paulistanas, com três.
O número é reduzido, principalmente se levar em conta a quantidade de candidatos do vestibular da UEL a cada ano. No concurso de janeiro do ano que vem, a prova terá número recorde de candidatos: 36.591. Este índice vai crescer com a chegada pelo correio de confirmações de inscrições. Segundo o coodenador pedagógico do vestibular, Luiz Rogério Oliveira da Silva, a maior parte dos vestibulandos é de Londrina e região. ''Sem dúvida, são mais de oito mil candidatos daqui. Concordo que o número de exemplares para a cidade é muito reduzido'', disse. ''A escassez das obras não é tão grave se considerarmos que muitos tentam o vestibular pela segunda ou terceira vez.''
Ao vestibulando, sobram as seguintes opções: comprar os livros a preço de livraria, caçar exemplares nos sebos ou apelar para resumos, baratos, fáceis de encontrar, mas que não se comparam às obras inteiras dos grandes autores.
Para diminuir a luta por um exemplar, a Biblioteca Municipal proibiu a renovação dos livros da relação da UEL. ''Consideramos que o prazo padrão de uma semana é suficiente para o vestibulando. Principalmente nesta época de grande procura'', revelou a bibliotecária e gerente de atendimento da biblioteca, Rosângela Rocha de Mello.
Ela admitiu ser impossível atender a procura pelos livros da lista, que ficam em local de acesso mais fácil, numa estante separada do acervo. As obras pedidas podem ser adquiridas pela instituição ou recebidas por doação. O processo burocrático, no entanto, faz com que haja demora de três a quatro meses para liberação da verba.
O cursinho da Universidade Estadual de Londrina possui um miniacervo, montado com doações, com um exemplar de cada obra. Como na Biblioteca Municipal, o limite de empréstimo é de uma semana e o prazo não é renovável.
Segundo o coordenador Luiz Rogério, foi solicitado à banca organizadora da prova que não colocasse na lista livros de edição esgotada, mas textos de edições recentes e acessíveis. Ele afirmou que duas editoras têm a maioria dos títulos a preços acessíveis e as obras são constantemente reimpressas.


