Vestibulandos denunciam hospedagem
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quinta-feira, 20 de julho de 2000
Érika Pelegrino de Londrina 
Um grupo de vestibulandos prestou queixa ontem no 3º Distrito Policial (DP) de Londrina contra a Central de Atendimento ao Estudante e Moradia (Caem). Eles afirmaram que receberam mala direta na qual era oferecido moradia, transporte (da rodoviária até a hospedagem e aos locais de prova) e três alimentações por dia balanceadas por nutricionista, ao preço de R$ 220,00.
Na denúncia, os vestibulandos apresentaram um recibo de pagamento que constava o depósito em conta corrente de uma mulher. Depois de receber a mala direta, os interessados ligavam no número da correspondência e eram atendidos por esta mulher, conta o vestibulando Saulo Nunes Spezamiglio, 17 anos, de São José do Rio Preto (SP).
Ao chegar em Londrina, depois de pagar pelo serviço, foram surpreendidos pela notícia de que todas as hospedagens estavam lotadas. Toni Jardini, 16 anos, de Sorocaba (SP) e seus amigos de São José do Rio Preto (SP) Saulo, Daniel Augusto de Fernandes, 16 anos, José Augusto Sanson, 17 anos, Marcel Frisene, 18 anos compareceram ao 3º DP para fazer a denúncia, mas alegaram que muitos outros estudantes também foram lesados.
Só na hospedagem que nós ficamos, outros 21 vestibulandos de São Paulo, Ribeirão Preto, Santa Catarina, Mato Grosso, Santos, também estavam na mesma situação, conta Saulo. O grupo dele chegou na Rodoviária de Londrina no sábado à noite e esperou horas na rodoviária, embaixo de chuva e muito frio, até que o transporte chegasse e um representante da Caem comunicasse que todas as hospedagem estavam lotadas.
O representante da Central, que respondia polo nome Luiz, deixou o grupo em uma hospedagem que estava lotada e segundo eles não tinha nenhuma ligação com o Caem. Chegamos lá de madrugada e estava lotada de vestibulandos. Todos tinham pago pelo serviço do Caem, conta Saulo. O pessoal dormiu no chão e de manhã tomou café puro e comeu pão com manteiga. A alimentação só veio de tanto a gente ligar para o Luiz, afirma.O transporte, segundo os vestibulandos, também não foi oferecido.
Durante todos os dias do vestibular os estudantes tentaram negociar com Luiz para receber o dinheiro de volta. Ele disse que ia descontar o dinheiro que já tinha gasto com alimentação e outras coisas e nos devolver R$ 158,00. Era para ele ter trazido o dinheiro ontem (quarta-feira) porque muitas pessoas iam pegar o ônibus de volta para casa à noite. Mas ele sumiu, afirma Saulo. Segundo Saulo, os estudantes foram embora e só o grupo ficou para fazer a denúncia. Se ninguém fizer nada no próximo vestibular outros estudantes serão lesados, diz José Augusto Sanson.
O delegado do 3º DP, Valdir Abrahão da Silva, formalizou a denúncia e abriu um Termo Circunstanciado de Infração Penal (Tecip), conforme a lei 9.099/95 que dispõe sobre crimes de menor potencial ofensivo.
Para o ressarcimento do dinheiro, o delegado encaminhou os vestibulandos para o Procon. Este delito se enquadra no artigo 66 do Código de Defesa do Consumidor, para o qual está previsto um ano de detenção, explica o delegado. Os telefones do Caem, inclusive o celular de Luiz e da mulher não atenderam durante toda a tarde de ontem, quando a reportagem da Folha tentou falar com eles.


