Vestibulando faz as provas na cadeia
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sexta-feira, 31 de janeiro de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Edson MazzettoCom gabarito Edir Poi Loef faz hoje as últimas provas na delegacia acompanhado de uma banca especial O estudante Edir Poi Loef, 20 anos, alimenta atrás das grades o sonho de passar no vestibular e frequentar o curso de serviço social da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Ele está preso desde a noite de anteontem na 47ª Delegacia Regional de Polícia de Toledo (47 quilômetros a oeste de Cascavel), por ter tentado extorquir uma dona decasa para devolver uma bolsa que havia furtado dela. Edir fez as provas dos dois primeiros dias do vestibular no campus da Unioeste de Toledo. Ontem pela manhã ele fez na delegacia, onde hoje também fará as últimas provas.
O caso é inusitado na história da Unioeste. No boletim diário que a instituição expediu ontem, com balanço do dia, a Comissão de Vestibulares (CV) não deu detalhes do fato, sob alegação de que o problema policial não é de sua competência.
O professor Flávio Vendelino Scherer, presidente da CV, disse à Folha que a aplicação das provas em locais fora das salas oficiais, inclusive em cadeia, é permitida pelo regulamento. A prova é feita com acompanhamento de bancas especiais, sem possibilidade de fraudes. No caso de Edir, ele é observado de perto por três fiscais.
O rapaz, desempregado, furtou a bolsa de Márcia Inês Malmann, 28 anos, no centro da cidade, no dia 17, depois de ter feito a matrícula para o vestibular. Ao ver que não havia dinheiro ou jóias na bolsa, Edir, de posse dos documentos da mulher, descobriu seu telefone e passou a ligar para ela de um orelhão, pedindo dinheiro para devolvê-los.
Márcia avisou a polícia, mas várias tentativas de prendê-lo foram infrutíferas, embora um aparelho bina, que localiza a origem de telefonemas, tenha sido instalado na residência.
Pouco antes das 20 horas de anteontem, depois de ter feito as provas dos segundo dia do vestibular, Edir voltou a telefonar. A polícia foi acionada e agiu rapidamente, conseguindo prendê-lo perto de um orelhão no centro. Junto com ele foi apreendida a bolsa com os pertences da mulher. Levado à delegacia, imediatamente Edir solicitou ao delegado Lino Lopes que encaminhasse à Unioeste pedido de banca especial para continuar as provas.
O rapaz admitiu o furto e a tentativa de extorsão e disse que foi uma burrice que cometeu por estar em dificuldades financeiras. Edir já tentou ser policial militar, e, segundo a Polícia de Toledo, teria sido expulso do curso por ter roubado o tênis de um colega. Caberá à Justiça definir sua pena. Por ser primário, poderá ser inferior a três anos, pelos dois crimes. Se permanecer preso, e tiver passado no vestibular, o juiz terá a opção de autorizá-lo a frequentar a universidade. As chances de Edir ser aprovado são relativamente grandes porque a concorrência pelo curso de Serviço Social era inicialmente de apenas 2,97 por vaga (119 candidatos para 40 vagas), mas houve várias desistências.
Últimas provas As provas de física e química marcarão hoje o último dia do vestibular da Unioeste nos campus de Cascavel, Toledo, Marechal Cândido Rondon e Foz do Iguaçu. Inicialmente, 8.704 candidatos estavam inscritos para disputar 1.280 vagas em 26 cursos. O número foi reduzido já a partir do primeiro dia por diversos fatores, entre eles o fato da Unioeste ser a última das instituições estaduais a fazer o vestibular e muitos inscritos terem passado em outras universidades.
Ontem, a desistência já era de 12,55% (1.092 ausentes). Em Cascavel, onde foi maior o número de inscrições (4.535), o índice é ainda mais expressivo, de 16,03%. O resultado dos vestibulares será divulgado até o dia 14 de fevereiro.


