Foi-se o tempo das fórmulas decoradas. Protocolo de Kioto, caso Celobar, racismo. Temas retirados diretamente do cotidiano e inseridos em questões de matemática, português, física, sociologia, arte, entre outros. Essa é a fórmula que a Universidade Estadual de Londrina (UEL) vem adotando nos três últimos vestibulares. A preferência pela interpretação e raciocínio sobre a memorização, admite a UEL, é uma forma de trazer para instituição alunos com um determinado perfil.
''Havia uma grande insatisfação em praticamente todos os cursos com a capacidade de leitura dos alunos'', explica o chefe da Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops), Luiz Rogério Oliveira da Silva. O concurso atual está estruturado em três dias de prova divididos em provas de conhecimentos gerais; português, redação, língua estrangeira; e questões específicas. Para vestibulandos de artes, arquitetura, design, estilismo e música há um quarto dia de provas de habilidades específicas.
Além da interdisciplinariedade da prova de conhecimentos gerais, a UEL também optou por incluir artes, filosofia e sociologia dentro do processo. As três disciplinas, que não são matérias regulares do ensino médio, são parte do terceiro dia de provas, cujo peso é maior, para vários cursos. ''O perfil que queremos é de um aluno mais informado, mais preocupado com a sociedade'', diz.
Ele admite, entretanto, que apesar de visíveis melhorias nos calouros dos últimos anos, ainda há ajustes a fazer. Tanto que neste ano um seminário vai avaliar as provas e propor mudanças.
Para Silva, as mudanças deixaram a prova mais acessível. ''Para o cadidato que tem preparação básica e um nível de informação que nos interessa a prova é mais acessível, mas não necessariamente fácil'', afirma citando que a prova de conhecimentos gerais nunca foi gabaritada e até agora apenas 13 alunos acertaram de 55 a 58 das 60 questões.
O diretor de um cursinho da cidade, Alderi Luiz Ferraresi, discorda. ''A mudança foi para melhor, tem uma boa abrangência de conteúdo mas é pouco profunda e o número de questões é pequeno'', observa. Para ele, a UEL deveria exigir mais.
Fácil e acessível não são os atributos mais citados quando quem opina são os vestibulandos. ''A prova tem muitas questões, várias relacionadas, confunde a gente, é cansativo'', diz Júlia da Fonseca, 19 anos que planeja ser pedagoga. Ao que a colega Neide Bachini Barbosa, 40 anos, completa que ''é tanta coisa para estudar que nem sei por onde começar''. Ambas acreditam, entretanto, que o pior é a redação. ''Elimina muita gente'', dizem.
O mesmo diz Carlos Augusto da Silva, 21 anos. ''Toda a prova é difícil mas a redação apavora por causa do peso'', afirma. Ele também tem receios da prova específica, no caso dele matemática e sociologia. As provas de ciências exatas, afirma a UEL, são as de menor indíce de acerto.

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