Os trabalhos no Lago Igapó 2 começam somente no ano que vem, desde que não ocorram novos problemas na licitação ou desentendimentos entre ambientalistas e técnicos da prefeitura sobre o desassoreamento. Segundo o secretário de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, o projeto do novo vertedouro será apresentado somente na última semana do ano.

Engenheiros da secretaria estão hoje, em São Paulo, onde se reunirão com profissionais de um empresa especializada em tecnolobia de barragens. Eles avaliarão a melhor (e mais rápida) alternativa para a edificação do novo vertedouro. A intenção do secretário é utilizar ''gabiões'' (proteções feitas em telas de arame normalmente utilizadas em encostas próximas às rodovias), substituindo construções em concreto armado. ''A grande vantagem desse sistema é que a barragem pode ser removida a qualquer momento. Teremos um projeto definitivo somente depois do Natal'', explicou Freitas, lembrando que outro projeto (o de manutenção da atual barragem) sai até sexta-feira. ''Devemos apenas trocar o piso e melhorar a sustentação da base. Teremos que interditar um dos sentidos da via.''

Enquanto as obras não saem do papel, moradores e ambientalistas reclamam do mau cheiro, dos insetos e da imagem decadente do mais conhecido cartão-postal de Londrina. A assessoria da Secretaria de Saúde informou que o Igapó 2 foi vistoriado há 15 dias. Os técnicos do Departamento de Epidemiologia e Saúde Ambiental chegaram a conclusão que o local oferece condições para a proliferação de insetos, mas ''o risco de desenvolver mosquitos transmissores de doenças (como dengue e malária) seria mínimo''. O Conselho Municipal do Meio Ambiente vem acompanhando as obras no lago e também questionou as péssimas condições sanitárias do local. Os integrantes da entidade pediram para a secretaria não encher o lago até que todo lodo e lama fossem retirados do fundo. ''Posso encher o lago novamente e fazer o desassoreamento usando dragagem ou limpar o lago seco. O problema é que o último processo pode demorar de seis meses a um ano'', comentou Freitas.

O Igapó 2 tem 80 mil metros quadrados e está vazio há cinco meses. A obra polêmica já custou a desistência da empresa Ravasil, vencedora do projeto de reformas e revitalização, e também a saída do vice-prefeito Luiz Carlos Bracarense da Secretaria de Obras (Freitas assumiu o cargo há uma semana). A Ravasil havia vencido a licitação oferecendo um custo de R$ 293 mil, cerca de R$ 90 mil abaixo do valor sugerido pela prefeitura.

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