Versatilidade pouco aproveitada
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sábado, 05 de fevereiro de 2011
Silvana Leão <br> Reportagem Local 
Durante as operações de resgate às vítimas dos deslizamentos causados pelas fortes chuvas na região serrana do Rio de Janeiro uma forma de transporte ganhou a cena: os helicópteros, que salvaram centenas de vidas pousando e decolando de locais onde veículos terrestres não chegariam. Esta capacidade de atingir regiões de difícil acesso, somada à grande agilidade, tem aumentado a cada ano o uso dessas aeronaves em grandes centros, como São Paulo. No Paraná, porém, o número reduzido ou a ausência de helipontos inviabiliza o uso mais frequente deste tipo de aparelho para fins particulares ou missões de socorro de vítimas e perseguições policiais.
Segundo dados da Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe), em pouco mais de uma década dobrou o número de helicópteros no País. Em 1998 havia 649 aparelhos com registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em 2009, ano da última atualização, este número chegou a 1.325. A maior concentração está no estado de São Paulo, onde havia, naquele ano, 541 helicópteros registrados.
De acordo com o último levantamento, o Paraná tem 46 aparelhos registrados, ficando atrás de São Paulo, Rio de Janeiro (285), Minas Gerais (139) e Distrito Federal (50). Os paranaenses também estão atrasados em relação aos paulistas no que diz respeito ao uso de helicópteros em emergências médicas. Segundo dados disponíveis no site da Anac, não há nenhum heliponto homologado em hospitais de Curitiba, enquanto na cidade de São Paulo há 16 instituições médicas com estrutura para pouso e decolagem de helicóptero.
Experiência de 15 dias
Em Londrina, uma experiência com transporte aéreo de vítimas de acidentes automobilísticos e outras emergências foi feita pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em junho de 2009, mas durou cerca de 15 dias. Segundo a assessoria de imprensa da PRF, a aeronave configurada para resgate foi trazida para a região à época em que o órgão assumiu a responsabilidade por 2,3 mil quilômetros de estradas federais no Estado, como forma de ajudar no reconhecimento da realidade local. Porém, apenas um atendimento (transporte de uma gestante em trabalho de parto, de um distrito rural de Londrina) foi feito com o aparelho durante o tempo de permanência na região, e ele foi levado de volta para a base de resgate em Curitiba.
Na Capital, o helicóptero integra o sistema Samu/Siate e em três anos já fez mais de 1,4 mil resgates na Região Metropolitana. O número de atendimentos chega a 10 por dia, e os pousos e decolagens são feitos nas áreas livres dos hospitais, estacionamentos, campos de futebol, estradas e onde mais for possível efetuar estas operações com segurança.
Na época, a única ocorrência atendida pela aeronave da PRF em Londrina foi encaminhada para o Hospital Universitário (HU), onde uma área próxima ao pronto-socorro permite a movimentação do aparelho. Os demais hospitais de Londrina que prestam atendimentos de alta complexidade (Santa Casa, Evangélico e Hospital do Coração) informaram que têm projetos de construção de helipontos, mas nenhum definiu data específica para que isto aconteça.


