Verminose diminui movimento em restaurantes
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segunda-feira, 11 de abril de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O surto de uma verminose causada pelo consumo de peixe cru contaminado na cidade de São Paulo, anunciado na semana passada, está se refletindo no movimento de restaurantes de Londrina que servem sashimi. Por precaução, alguns estão evitando preparar o prato com salmão, que seria o principal responsável pela contaminação com o parasita Diphyllobothrium spp, causador da doença chamada difilobotríase. Outros, seguindo recomendação da Vigilância Sanitária, passaram a congelar o peixe, que é importado do Chile.
Segundo nota divulgada pelo Ministério da Agricultura e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o processo de congelamento a 18 graus negativos por pelo menos 24 horas seria capaz de inativar o parasita, mas reportagens veiculadas no final de semana pela TV já falavam na necessidade de temperatura mais intensa para que o resultado seja eficaz. Os proprietários de restaurantes têm dúvidas quanto ao melhor procedimento.
O boletim da Anvisa explica que o parasita se instala na musculatura ou nos nervos do peixe quando este entra em contato com fezes humanas contaminadas. Ao comer a carne do peixe crua, o homem o ingere também, e o parasita se instala no intestino humano, onde cresce por até 10 anos. Os sintomas podem ser dor abdominal, diarréia, flatulência, vômito e, nos casos graves, anemia e perda de peso. Em alguns casos, porém, os sintomas podem ser dispersos ou nem aparecer. O tratamento é simples, feito com dose única de medicamento.
Ainda não se sabe se existe a possibilidade de peixes da costa brasileira estarem contaminados. O gerente da Vigilância Sanitária de Londrina, Marcelo Viana de Castro, disse ontem no final da tarde que ainda não recebeu recomendação oficial por parte da Anvisa. ''Estamos aguardando, mas não se trata de algo emergencial'', ponderou.
Já prevendo uma queda no movimento ainda mais acentuada nos próximos dias, o proprietário do Sushi House, Roberto Koike, resolveu antecipar as férias coletivas. Depois de 10 dias, ele espera ter informações mais claras sobre o problema. ''Fui informado na Vigilância que não há motivo para alarde. Tudo por enquanto são suspeitas, mas, por precaução, passamos a congelar o salmão, que chega até nós resfriado.'' Segundo ele, a carne de salmão que passa por congelamento fica mais difícil de manusear no preparo do sashimi, mas não perde em sabor.
No Restaurante Kyodai, a queda estimada no movimento nos últimos dias, segundo a proprietária Rosângela Shimizu, foi de aproximadamente 50%. ''Mas não sei se foi por causa das notícias da verminose ou por causa da Exposição Agropecuária'', disse. Segundo Rosângela, os clientes que vão até o restaurante não dispensam o salmão. ''Passamos a congelar, mas as informações quanto ao tempo e a temperatura necessárias estão desencontradas'', queixou-se.


