Verificação de óbitos vira polêmica
Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
O chefe do Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina, Antonio Carlos de Queiroz, disse que a falta de mão-de-obra especializada, estrutura física e o comércio da morte são os principais problemas enfrentados no dia-a-dia. Em Londrina, o mais urgente é o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) que é rejeitado tanto pela Autarquia de Serviços Especiais (Acesf) quanto pelo IML. A obrigação é do município. Eventualmente, atendemos algum caso, mas na maioria das vezes a família é obrigada a pagar um médico responsável.
Nas outras 23 cidades assistidas pelo IML local Queiroz afirma que ocorre o oposto. As funerárias disputam o corpo e para driblar a fiscalização corrompem policiais e funcionários de hospitais. De acordo com Queiroz, o maior interesse destas empresas está nas vítimas de acidentes automobilísticos que rendem R$ 5.087,00 provenientes do seguro DPVAT (Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de via Terrestre).
O IML de Londrina é o único do interior do Paraná a realizar exames de toxicologia, odontologia legal, atendimento psiquiátrico e psicológico. Além disso, é responsável por necropsias e exames ambulatoriais forenses. Funciona com três auxiliares de necropsia a menos, com instrumentos médicos desgastados, salários baixos e apenas um veículo, utilizado para transportar cadáveres e funcionários.
Para trabalhar contamos com doações de empresários e o esforço de cada funcionário. Nossa situação é digna de uma CPI (Comissão Processante de Inquérito) e o momento é o mais oportuno. Já levamos todas as reivindicações ao novo delegado-geral de polícia e esperamos que ele se sensibilize com a causa, comentou Queiroz.





