Vergonha dos pais: até que ponto é normal
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terça-feira, 01 de novembro de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Ter vergonha dos pais, não querendo que eles o levem à escola ou algum passeio com os amigos é até normal quando se trata da adolescência. Porém, é preciso prestar atenção quando essa vergonha se transforma em um fato muito grave. Para a psicóloga Maria Elizabeth Tavares, de Londrina, é preciso analisar o comportamento do adolescente a fim de que não extrapole os limites da normalidade.
''Até certo ponto, essa vergonha dos filhos em relação ao fato de serem vistos com os pais ou pelas atitudes deles é normal quando ocorre durante o período que compreende a adolescência, dos 12 aos 18 anos'', afirma Maria Elizabeth. ''O que muitos pais não entendem, e que até acaba sendo motivo de conflito entre as gerações, é que esse comportamento dos filhos não é porque têm vergonha dos pais, mas é a maneira que encontram de afirmar a identidade no seu grupo.''
''Eles precisam se separar dos pais, diferenciar-se deles, para não se sentirem crianças, para ganharem a vida lá fora e, até mesmo, para que consigam estabelecer vínculos amorosos com outras pessoas'', destaca a psicóloga.
É interessante, pois, que os pais busquem compreender o que está se passando na mente de seus filhos. Os adolescentes diante dos amigos desejam parecer corajosos, independentes e crescidos, muito antes de poderem realizar esse desejo. Nesse caso, a vergonha ocorre pela necessidade de rejeitar o modelo dos pais e seu comportamento. Bom frisar que os pais não são culpados e que é apenas questão da necessidade do adolescente em afirmar a identidade no seu grupo'', acrescenta a educadora e escritora Suely Buriasco.
No entanto, Maria Elizabeth alerta que é preciso que os pais diferenciem a atitude normal dos filhos neste período da vida, de se distanciar dos pais, do menosprezo ou de manter um distanciamento maior da família. Segundo a psicóloga, este pode ser um primeiro sintoma apresentado por um adolescente que se transformará, mais tarde, em um jovem com desvio de caráter, procurando parecer o que, na verdade, não é.
''E quando essa situação tem continuidade na vida adulta, os problemas de relacionamento tendem a piorar, pois ele já está com a personalidade completamente formada e dificilmente aceitará procurar por uma terapia para o seu drama psíquico'', afirma a psicóloga, salientando a necessidade de que os pais sempre busquem compreender o que está se passando na mente de seus filhos.
Sinais
A especialista cita como um possível sintoma do distúrbio de caráter em um adolescente o fato de ele estar, constantemente, negando a realidade financeira, extorquindo a família a qualquer preço. Outros sintomas são a atitude do adolescente estar inventando mentiras o tempo todo para manter a fantasia que ele mesmo criou e a realização de pequenos furtos em casa.
''São atitudes que a gente começa a perceber até mesmo na escola. Quando desaparecem objetos dos colegas. Em muitos casos, os pais são informados sobre o acontecido e negam que o filho tenha feito aquilo, dizendo que ele tomaria uma atitude dessas'', complementa a psicóloga.
Maria Elizabeth ressalta que o surgimento repentino de um comportamento agressivo também precisa ser avaliado. ''Infelizmente, a gente não tem uma medida psicológica para avaliar quando o comportamento do adolescente está dentro dos limites aceitáveis das típicas complicações adolescentes, mas quando existe uma alteração em termos de comportamento e também no nível de manifestação das emoções, a ponto de incomodar muito os pais, aí sim é hora de procurar uma ajuda de um especialista, pelo menos para fazer um diagnóstico'', completa.



