Os números mais recentes da Aids no Brasil mostram que a epidemia, na década de 2000, comporta-se de forma diferente entre os jovens. Na população geral, a maior parte dos casos está entre os homens e, entre eles, a principal forma de transmissão é a heterossexual. Considerando somente a faixa etária dos 13 aos 24 anos, a realidade é outra. De 13 a 19 anos, a maior parte dos registros da doença está entre as mulheres. Entre os jovens de 20 a 24 anos, os casos se dividem de forma equilibrada entre os dois gêneros. Para os homens dos 13 aos 24 anos, a principal forma de transmissão é a homossexual.
Entre 2000 e junho de 2009, foram registrados no Brasil 3.713 casos de Aids em meninas de 13 a 19 anos (60% do total), contra 2.448 meninos. Na faixa etária seguinte (20 a 24 anos), há 13.083 (50%) casos entre elas e 13.252 entre eles. No grupo com 25 anos ou mais, há uma clara inversão - 174.070 (60%) do total (280.557) de casos são entre os homens. No Paraná, dos 21.378 casos, 494 têm de 13 a 19 anos. Em Londrina, dos 1.872 infectados, 45 encontram-se nesta faixa etária.
Diversos fatores explicam a maior vulnerabilidade dos jovens. Entre as meninas, as relações desiguais de gênero e o não reconhecimento de seus direitos, incluindo a legitimidade do exercício da sexualidade, são algumas dessas razões. ''Nos últimos 20 anos vive-se a feminização dos casos de Aids. Muitas jovens sentem vergonha de falar sobre o início da vida sexual para a família e têm dificuldade de negociar o uso do preservativo com o parceiro. Pesquisas apontam que na quarta relação com o mesmo homem a mulher já confia nele'', revela Regina Cortez, gerente do Programa Municipal de DST/Aids e Tuberculose de Londrina.
No caso dos jovens gays, falar sobre a sexualidade é ainda mais difícil. ''Eles têm dúvida em relação a opção sexual, além de sofrerem preconceito na escola e, muitas vezes, na família. Isso os deixa mais vulneráveis ao HIV'', afirma Regina. (C.V., com informações da Agência Brasil)

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