Verei a união de todos em torno da justiça
Vi aonde o homem pode chegar em seus dois extremos, por isso tenho grande esperança na vida, analisa D. Jerônimo Mazzarotto. Perto de ter vivido em três séculos - período que se completa no dia 11 de abril de 2000 -, o bispo presenciou a evolução das guerras, a descoberta da cura de graves doenças e o surgimento de outras, a derrocada do comunismo, entre outros fatos que marcaram o mundo. Nenhum desses eventos abalou sua convicção na bondade do homem.
Quando D. Jerônimo nasceu, em 11 de abril de 1898 (fim do século XIX), Curitiba estava implementando seu primeiro trabalho de levantamento topográfico. Naquela época, a cidade não tinha mais que 30 mil habitantes - a maioria vivendo nos bairros, que eram grandes grotões no campo.
A cidade cresceu, os problemas no mundo também. No ano da ordenação de Jerônimo (1921), na Itália, terra de seus pais, subia ao poder Benedito Mussolini, que entraria como aliado da Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Nesse mesmo ano, o comunismo se consolidaria na Rússia.
Em 1929, na nomeação dele a vigário cooperador da Catedral de Curitiba, aconteceria a maior depressão na economia mundial. Nesse ano, a penicilina começava a ser aplicada no País para a cura da tuberculose.
Por causa de seus conhecimentos em Filosofia, Teologia e Letras, D. Jerônimo foi nomeado presidente do Tribunal Eclesiástico, no ano em que os Estados Unidos explodiram a primeria bomba de hidrogênio (1952). Três anos depois, o bispo criaria a Universidade Católica do Paraná. Quando o Brasil entrou na era atômica, em 1974, D. Jerônimo deixou o cargo de reitor da instituição. Hoje, a gestão da universidade está a cargo dos Irmãos Maristas.
Quando deixou a direção da Universidade Católica, D. Jerônimo intensificou as visitas a seus fiéis, passando a vê-los nos grandes edifícios que começavam a surgir ao lado das canaletas que abrigavam os primeiros ônibus expressos de Curitiba. Os edifícios fizeram aumentar o número de fiéis na cidade, mas tornaram maior o trabalho das visitas aos recém-nascidos ou aos enlutados, descreve.
Além desses fatos, D. Jerônimo acompanhou a explosão da bomba atômica, as guerras no Oriente Médio, a ditadura militar e a volta da democracia no Brasil, entre outros fatos. Se Deus permitir verei a união de todos em torno da fraternidade e da justiça, finaliza. (I.R.)





