Vereadores votam contra seus próprios projetos
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terça-feira, 21 de agosto de 2001
Sid Sauer 
''Hoje eu quero ver se é só a minha assinatura que não vale nada.'' A frase foi dita anteontem à noite pelo vereador Isidoro Moraes (PSL), durante sessão ordinária da Câmara Municipal de Campo Mourão. Ele estava se referindo a uma nova ''moda'', no Legislativo Municipal: vereadores votarem contra projetos que eles mesmo assinaram. Moraes estava também se defendendo, uma vez que ele foi um dos primeiros a votar contra um projeto do qual era co-autor.
Na mesma sessão, o vereador Gustavo Gurgel (PMDB), outro que já votou contra um projeto de sua própria autoria, pediu desculpas pelo ato. ''Eu, por ignorância, paguei o preço de cometer um deslize'', disse. ''Doeu no meu fígado.'' Há 15 dias, Gurgel votou contra o fim do voto secreto para a escolha do presidente da Câmara, proposta do qual era um dos autores.
Na hora de explicar por que estão votando contra si mesmos, os vereadores têm as mais diferentes versões. Gurgel, por exemplo, disse que o projeto em votação não era exatamente aquilo que ele havia imaginado. Moraes, por sua vez, afirmou que já havia pedido a retirada de sua assinatura do projeto.
Quatro vereadores já pediram que suas assinaturas sejam retiradas de dois projetos que prevêm a entrega de títulos de cidadania honorária aos secretários de Estado Lubomir Ficinski (Desenvolvimento Urbano) e Fani Lerner (Criança e Assuntos da Família). Eles são de partidos que fazem oposição ao governo do Estado e só perceberam o teor da proposta depois que já haviam assinado o projeto.
Na sessão da última segunda-feira, Sebastião Ribeiro (PT), Idevalci Ferreira Maia (PV) e Celso Hruschka (PMDB), foram contra si mesmos duas vezes. Primeiro, deram parecer contrário a um projeto em que eram co-autores. Depois, votaram em plenário contra o projeto que eles próprios haviam emitido. Culparam o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), que os teria influenciado a dar o parecer contrário a uma proposta da qual eram favoráveis.
Para o público que acompanha os trabalhos da Câmara fica difícil entender tantas mudanças de idéias. Por isso mesmo, a desculpa mais comum é a afirmação de que a assinatura foi dada apenas para que a proposta pudesse tramitar. Foi o que disse Edoel Rocha (PSDB), depois de votar contra o fim do recesso de julho, apesar de ter dado parecer favorável à matéria nas comissões.
Não é à toa que as sessões da Câmara são, quase sempre, acompanhadas por um plenário vazio. Como já se foi o tempo em que os negócios eram feitos no ''fio do bigode'' (acordo verbal) , talvez esteja na hora dos vereadores pensaram um pouco mais antes de assinar documentos. Antes que caíam, definitivamente, no descrédito.


