Vereadores vistoriam os trilhos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de maio de 2001
Ellen Taborda De Curitiba 
Vereadores da Comissão Especial criada para analisar problemas causados pelo tráfego de trens em Curitiba fazem hoje pela manhã uma vistoria na malha ferroviária que corta a cidade. O objetivo é verifiicar os principais problemas do trecho.
Para a vistoria, os vereadores solicitaram vagões da América Latina Logística (ALL), empresa que administra as ferrovias no Paraná. De acordo com o presidente da comissão, vereador André Passos (PT), a viagem com vagão vai facilitar o trabalho. Podemos alcançar pontos difíceis de chegar de outra maneira.
Além dos vereadores, devem participar da vistoria deputados estaduais e técnicos da ALL. Passos conta que convidou também técnicos da Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran) e representantes do Sindicato dos Maquinistas e Ferroviários.
Passos conta que já fez inspeções extra-oficiais em alguns pontos. O principal problema detectado foi a conservação. Há muitos pinos soltos e dormentes sem qualquer manutenção.
Também os cruzamentos serão vistoriados. De acordo com o vereador, a sinalização em muitos trechos não é adequada. Outro ponto que será observado é a presença de construções próximas à linha férrea.
A maior dificuldade é o fato de não existir uma agência reguladora. Não há quem fiscalize a malha ferroviária, afirma Passos. A criação da agência estava prevista no processo de privatização, mas não saiu do papel. Existe apenas uma pessoa que é encarregada disso, mas ela trabalha em Brasília, no Ministério dos Transportes. Como é que dá para fiscalizar?
Os resultados da vistoria servirão de base para os quetionamentos dos vereadores durante depoimento de representantes da ALL, previsto para a próxima segunda-feira na Câmara Municipal.
Ontem à noite os ferroviários se reuniram na Câmara Municipal para discutir os principais problemas enfrentados pela categoria. Entre eles, as demissões e os acidentes de trabalho. De acordo com o secretário-geral do Sindicato dos Maquinistas e Ferroviários do Paraná e Santa Catarina, Daniel Antonio Araújo, o número de funcionários diminuiu muito. Em 1997, antes da privatização, o Paraná tinha 7,8 mil empregados no sistema ferroviário. Hoje, o Estado soma com Santa Catarina apenas 2,1 mil funcionários.
Esse corte fez aumentar o número de acidentes na malha. Antes, dois maquinistas dividiam o turno. Hoje, apenas um chega a trabalhar por até 16 horas seguidas, disse Araújo.


