Edinelson Alves
De Rolândia
Especial para a Folha
Um tumulto anteontem na Câmara de Vereadores de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) obrigou a suspensão da sessão. O presidente da Câmara, Vamberto Garcia Figueiredo (PMDB), solicitou a presença de uma equipe da Polícia Militar com detector de metal para impedir que os vereadores e o público entrassem armados no prédio. Inconformados com a medida de Vamberto, que não teria consultado a mesa diretora, alguns vereadores deram uma aula de falta de decoro.
O vereador Miguel Kolarovic (PTB) reclamava pelos corredores. ‘‘O presidente está louco. Onde já se viu o vereador passar pelo vexame de ser revistado dentro da sua própria casa. Não existe nada que possa justificar essa atitude. Não tenho nada contra a PM, mas a medida é absurda.’’ A maioria dos vereadores, após a surpresa com a presença de seis militares e o detector de metal, criticava o presidente. Ismael Ferreira Martins (PMDB) foi embora. ‘‘Estou há 12 anos como vereador e nunca vi isso. Vou embora em protesto’’, justificou.
Quando Vamberto Garcia chegou e entrou na sala da presidência, um grupo de vereadores entrou atrás e fechou a porta. Do lado de fora era possível ouvir gritos e até murros na mesa. O vereador Osvanir de Salles (PTB) saiu da sala, cruzou o corredor, deu um murro no balcão e passou a gritar, no meio do público. ‘‘O presidente não é dono da Câmara e deve respeitar os demais vereadores. A PM tem que ser enviada para as bocas de fumo e não para a Câmara.’’
Mesmo pressionado, Vamberto não voltou atrás. Ele justificou ter convocado a PM porque na sessão anterior o vereador José Rubens Massuci (PPS) denunciou que dois colegas estavam armados no plenário. ‘‘Como ele não deu o nome dos que possivelmente andam armados na Câmara, convoquei a PM como medida preventiva.’’ Vamberto é pré-candidato a prefeito pelo PMDB e os vereadores o acusaram de adotar o detector de metal para se promover. O vereador Rubens Massuci, que denunciou a presença de armas, não compareceu à sessão. Massuci e Arno Giesen (PSB) – que também não compareceram na sessão – são investigados por uma Comissão Especial de Inquérito por falta de decoro. O presidente ainda tentou abrir a sessão mas não houve quórum.

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