Vereadores questionam dívidas dos camelôs
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quinta-feira, 11 de março de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
O corte de energia elétrica no Shopping Popular de Londrina (Área Central) motivou a Câmara de Vereadores a pedir esclarecimentos sobre a crise vivida pelos camelôs. Ontem, cogitou-se até a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar um possível mau uso de dinheiro público, já que o aluguel é bancado pela prefeitura. No entanto, os presidentes das Organizações Não Governamentais (ONGs) que administram o Camelódromo e que foram convidados para prestar esclarecimentos acabaram saindo da Câmara sem falar.
O vereador Rubens Canizares (PHS) disse ontem que tem um pedido de CEI pronto e que deverá pedir sua instalação se as dúvidas não forem esclarecidas. Assim como o vereador João Dib Abussafi (PMDB), que fez o convite aos presidentes das ONGs, ele questionou o fato de o Camelódromo ter ficado fechado na manhã de anteontem devido ao corte de energia elétrica. ''Se a prefeitura faz um repasse mensal por que a luz foi cortada?'', questionou, se referindo à lei 8.875, de agosto de 2002, que prevê a transferência de recursos financeiros de 2003 até janeiro de 2005 para atender a despesas de manutenção, como o pagamento de aluguel, água, luz e condomínio.
O presidente da ONG Canaã, Ulisses Sabino Nogueira, e a presidente da Associação dos Camelôs de Londrina (Acal), Ana Maria da Costa, acabaram não prestando esclarecimentos porque a plenária não aprovou a suspensão dos trabalhos. Mas rebateram a informação. ''A luz não foi paga por inadimplência dos condôminos, o dinheiro que recebemos da prefeitura é só para o aluguel'', disse Ana. A inadimplência, segundo os comerciantes, é atribuída à queda nas vendas nos últimos meses, principalmente depois que foram proibidos de comercializar CDs piratas.
Ontem, o assessor de relações comunitárias da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Carlos Xavier, confirmou que ''a responsabilidade da prefeitura hoje é repassar o valor do aluguel'' e que isto estaria especificado no convênio assinado com as ONGs. Ele explicou que num período de ''três ou quatro meses'', antes da inauguração, quando o prédio passava por reformas, foram pagos também a água e a luz, com uma verba de pouco mais de R$ 200 mil prevista para a readequação do local.
O secretário de Governo, Adalberto Pereira, disse que ''não vê necessidade'' da instalação de uma CEI ''para verificar o que não é de responsabilidade da prefeitura''. ''O dinheiro só estaria sendo mal aplicado se o aluguel não estivesse sendo pago'', disse. Ele informou que ontem foi protocolado na Câmara um pedido de autorização de reajuste de R$ 3.425,00 mensais no aluguel do imóvel.


