Vereadores questionam custos da viagem à Itália
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segunda-feira, 08 de junho de 1998
Lúcio Horta 
Os vereadores Elza Correia (sem partido) e Tercílio Turini (PSDB) entraram com pedido de informações junto à Prefeitura de Londrina para conhecer detalhes sobre a viagem da comitiva de londrinenses que ficou 10 dias na Itália. Políticos - entre eles o prefeito Antonio Belinati -, secretários municipais e jornalistas, totalizando mais de 50 pessoas, viajaram a convite do programa Paraná-Europa.
Elza Correia informa que quer saber, basicamente, o número de pessoas que foram à Itália, qual foi o total das despesas e quem pagou a conta. Ela diz que a idéia de pedir informações à prefeitura surgiu depois que Valentin Aparecido Martins, diretor da Associação Brasileira de Agências de Turismo (Abav), regional Londrina, a procurou reclamando que todas as passagens aéreas para Itália foram compradas em agência de São Paulo. Ele não questionou nada sobre a comitiva, mas disse que o dinheiro investido poderia ficar em Londrina, diz Elza.
Para a vereadora, as agências de turismo instaladas na Cidade mereceriam mais atenção, até porque existem na Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) projetos de incremento do turismo. É uma contradição entre o discurso e a ação prática. Por isso achei que ele (Valentin Aparecido) merecia nossa solidariedade, avalia Elza. Ela lembra também que a única informação disponível, até agora, é que os bilhetes foram comprados na empresa Master Travel Turismo, de São Paulo.
Além de diretor da Abav regional, Valentin Aparecido é também delegado suplente da diretoria nacional da entidade, além de membro do Conselho Municipal de Turismo. Como pouco mais de 50 pessoas viajaram - a maioria, diz ele, de primeira classe ou classe executiva -, o custo das passagens deve ter ficado em torno de R$ 300 mil.
Isso é evasão de receita, esse dinheiro deixou de circular em Londrina. E o mercado de turismo na Cidade, como um todo, está retraído. Por isso o investimento seria importante.
Valentin Aparecido diz que em Londrina há aproximadamente 60 agências e que cada uma delas poderia ter fornecido uma passagem para a comitiva. Ele conta ainda que o preço da passagem é tabelado e portanto não ficaria mais caro ou barato adquirir os bilhetes na Cidade.
O Paraná-Europa é uma entidade que não visa lucro e, de uma forma ou de outra, também recebe dinheiro da prefeitura, acrescenta Valentin. Por isso, destaca, a prefeitura e a Codel deveriam no mínimo ter questionado o motivo das passagens terem sido compradas em São Paulo.
O prefeito Antonio Belinati, ontem de manhã, preferiu não entrar em detalhes sobre a polêmica. Ele lembrou apenas que a viagem não foi organizada pela prefeitura e sim pelo Programa Paraná-Europa.
A prefeitura não comprou passagens, destacou o prefeito. Belinati disse ainda que, a partir do momento que ganha uma passagem, não pode exigir que ela seja comprada em uma ou outra cidade.


