Vereadores questionam contrato com a Sanepar
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terça-feira, 17 de abril de 2001
Maurício Borges De Apucarana 
A discussão relacionada à renovação ou não do contrato de concessão de serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos em Apucarana, chegou ontem à Câmara Municipal. O assunto, que estava restrito à prefeitura e ao Conselho de Desenvolvimento, passou a ser avaliado inclusive por sindicatos e associações de bairros, depois que a Promotoria de Defesa do Consumidor solicitou informações sobre o andamento da negociação e recomendou mais transparência no seu encaminhamento.
Na sessão de ontem à tarde, o tema foi debatido pelos vereadores que fizeram vários questionamentos ao prefeito Valter Aparecido Pegorer (PFL) e ao presidente do Conselho de Desenvolvimento, o médico Daniel Blanski, além de outros membros desse órgão. Detalhes como a possível privatização da Sanepar, prazo muito longo do contrato, preços e tarifas diferenciadas, além de metas relacionadas à obras de saneamento urbano, foram abordados pelos vereadores que, em breve, irão votar a renovação ou não do contrato.
Pegorer voltou a defender a renovação do contrato com a Sanepar e até a privatização deste tipo de serviço, reiterando sua opinião de que o poder público deve manter-se nas áreas que estão ligadas à essência da vida popular. Para ele as prioridades devem ser a educação, saúde, assistência social e obras de infra-estrutura urbana.
O prefeito também insistiu que o Município não tem capacidade e condições para administrar o sistema. Água é um bom negócio para quem é do ramo e, para mim, estatização é retrocesso, argumentou Valter Pegorer aos vereadores.
Daniel Blanski, explicou que o Conselho de Desenvolvimento está abrindo a discussão do contrato com todos segmentos da comunidade. E confirmou que está sendo encaminhada a contratação de uma consultoria, visando obter informações mais precisas sobre custos, operacionalidade, lucros do sistema e outros detalhes relevantes nesta negociação.
Temos quase 100% da população servida com água da Sanepar; nossa preocupação agora é ampliar a rede de coleta e tratamento de esgoto, anunciou Blanski. Segundo ele, atualmente apenas 24% da cidade é servida com este sistema. A Sanepar se propõe a investir R$ 20 milhões em saneamento, nos primeiros oito anos do contrato, ampliando para 75% da cidade a rede de esgoto, revelou o presidente do conselho.
Preocupado com a eventual privatização da Sanepar, que já tem 40% de seu capital sob controle de uma empresa francesa, o vereador Antônio Garcia (PSDB), criticou duramente o atendimento nas empresas que caíram nas mãos da iniciativa privada. O povo não tem com quem falar, e quando consegue é mau atendido no 0800, afirmou.
Como o contrato em negociação tem prazo de 30 anos e não está descartada a hipótese de pertencer a um grupo francês, o vereador Dinalmo Simões , recomendou que seja incluída uma cláusula, proibindo que água de Apucarana seja exportada.
Na discussão do tema, sindicatos e associações de bairros estão sugerindo até a realização de um plebiscito, para que a comunidade tenha o direito de opinar. Estas instituições também não querem que seja descartada da discussão, a possibilidade de municipalização do serviço.


