Vereadores querem mudar pedágio
Vereadores querem mudar pedágio
Protesto em Jataizinho reuniu 150 vereadores e agricultores da região
Alexandre Sanches
Dorico da Silva
ArgumentosOs
manifestantes
fizeram
críticas ao
projeto do
Anel de
Integração,
inclusive
porque ele
não prevê
uma estrada
marginal que
permita à
população
local escapar
do pedágio;
a duplicação
vinculada
à cobrança
da taxa
também
não agrada O protesto contra a cobrança de pedágios no Estado reuniu ontem de manhã cerca de 150 pessoas, entre vereadores da região Norte e agricultores, em Jataizinho (25 km a leste de Londrina). Aos motoristas que trafegavam pela BR-369 foram entregues panfletos. Os participantes se revezaram em discursos inflamados, criticando o projeto do Anel de Integração do governo do Estado. A manifestação foi organizada por vereadores de 15 municípios da região de Cornélio Procópio.
Os manifestantes criticaram o governo por privatizar as rodovias do Estado sem abolir a cobrança do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), cujos valores são destinados à recuperação de estradas.
Dorico da Silva
Motoristas recebem panfletos
O presidente da Câmara de Vereadores de Jataizinho, Marcos Alexandre Domingues (PSDB), argumentou que a praça de pedágio foi construída a 10 quilômetros da cidade e que boa parte dos produtores rurais do município mora nos 20 quilômetros entre a praça e a divisa com Uraí. Vão cobrar em cima de uma estrada já feita, declarou.
Para o vereador, o município perde com a praça de pedágio porque a população depende de Uraí e Cornélio Procópio para questões jurídicas e administrativas. Seremos obrigados a pagar R$ 3,60 cada vez que passarmos pelo pedágio, tanto na ida quanto na volta, reclamou. O maior problema será enfrentado, segundo os participantes do protesto, pelos produtores rurais que, ao abastecer a Ceasa em Londrina, vão imbutir os custos do pedágio no preço final dos produtos.
O horticultor Sidnilson Mendes, de Assaí, afirmou que vai abandonar a agricultura por causa do pedágio. Transportando diariamente cerca de 50 caixas de verduras e legumes até Londrina, ele calcula que vai ter prejuízos. Cada vez que passar pelo pedágio, pagarei R$ 7,20. Eu vendo minha carga a R$ 2,00 a caixa. Só me resta mudar de ramo.
Sidnilson Mendes vai utilizar somente um quilômetro da BR-369 entre o trevo da PR-090 até a praça de pedágio, e terá que pagar como se tivesse viajado pelos quase 80 quilômetros de distância até a praça de pedágio em Andirá. Londrina é abastecida por 80% dos agricultores da região. Nós vendemos a nossa safra para receber depois de 30 dias. Não pensaram na gente.
O presidente da Câmara de Cornélio Procópio, Rui Sampaio (PT), destacou que parte da população que utiliza o comércio e serviços de Londrina vai pagar pedágio em rodovia de pista simples. O Paraná é o único local do mundo onde se cobrará pedágio em pista simples. Temos a promessa de duplicar a rodovia. Mas vai que a empresa entre em falência antes de iniciar a duplicação. Pagaremos à toa?
Para Sampaio, as concessionárias deveriam, como em países da Europa e Estados Unidos, oferecer pistas alternativas que desviam o tráfego das praças de pedágio para pequenas distâncias. Ninguém é contra a cobrança, desde que seja feita em pista duplicada.
Para o vereador Carmelino Antônio da Silva (PPB), de Assaí, a população dos municípios às margens da PR-090 vai ser a mais explorada. As melhorias pagas no pedágio não vão atingir a principal via de acesso ao trevo da BR-369. É uma incoerência. Mesmo sem usar a rodovia, a população vai pagar este imposto embutido em outros produtos.
Os vereadores esperam, agora, que a assessoria jurídica em Curitiba analise recursos contra o que consideram bitributação feita pelo Estado. Em Jataizinho, os vereadores pretendem entrar com ação judicial pedindo o embargo da obra, que está quase pronta, e a sua mudança de local. O prefeito autorizou a obra sem consultar os vereadores, o que contraria a Lei Orgânica do município, comentou Marcos Alexandre Domingues.
Cerca de 150 policiais militares do Grupo de Operações Especiais de quatro batalhões foram mobilizados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, para fazer a segurança na área. A manifestação durou cerca de três horas e não bloqueou a rodovia.





