O relatório final da Comissão de Investigação (CI) do Narcotráfico, resultado de cinco meses de trabalho do grupo criado pela Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu, pede a presença do Exército nas ruas para reforçar o policiamento da cidade. O comandante local da corporação não concordou com a solicitação dos integrantes da CI, dizendo que a sociedade não aprovaria a utilização das Forças Armadas nas ruas.
A sugestão foi apresentada à população durante o final de semana, mesmo período em que foram registrados tiroteio entre gangues, briga entre traficantes e um assassinato, o nono somente neste mês. Para ampliar os números da violência na cidade, seis presos fugiram da Cadeia Pública e até a tarde de ontem não haviam sido recapturados (veja nesta página). Para o presidente da comissão, vereador Sérgio de Oliveira (PFL), o relatório abrange outros ‘‘setores’’ além do narcotráfico, porque todos estariam interligados. ‘‘Não resta dúvida que a onda de assassinatos registrados nos últimos dias está diretamente ligada ao tráfico na fronteira. Entre as denúncias que recebemos não estão incluídos somente criminosos’’, explicou Oliveira, referindo-se às 320 pessoas que ligaram para o disque-denúncia da CI, delatando também policiais, políticos e autoridades da cidade.
As recomendações apresentadas no relatório são direcionadas a três diretrizes: tratamento, prevenção e repressão. Entre as sugestões estão a implantação de uma clínica para recuperação de dependentes e a criação de cursos para preparar melhor os professores, que deverão discutir com os alunos casos envolvendo a criminalidade de Foz. Como caráter repressivo, foi sugerida a extinção definitiva da função de assistente de segurança pública, conhecido como ‘‘bate-pau’’ (responsáveis pela maioria das denúncias) e a colocação de soldados nas ruas, auxiliando os policiais nas rondas. ‘‘Esta recomendação é perfeitamente viável porque está inclusa no Plano Nacional de Segurança Pública apresentado em Brasília’’, alegou Oliveira. O projeto foi apresentado há cerca de dois meses pelo Governo Federal.
Segundo o comandante do 34º Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército sediado em Foz, Carlos Morgado Galetti, o aprendizado do soldado está ligado às ações de guerra. Para os militares se adaptarem à esta nova função, além de serem necessários treinamento e armamento específicos, seria preciso também a aprovação dos moradores. ‘‘Esta não é a função da corporação. E se começarmos a matar meliantes ao invés de ferir, qual seria o posicionamento da sociedade?’’
Para que o Exército possa atuar nas ruas, é necessária aprovação especial de Brasília. Cópias do relatório foram encaminhadas ao Ministério da Justiça, às Forças Armadas e a Secretaria Nacional Antidrogas. Órgãos estaduais também receberam o documento.

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